Vulcão Etna: 13 fatos curiosos sobre um dos vulcões mais ativos do mundo


Atualizado em 25/05/2020

“Ninguém que não tenha visto o vulcão Etna sabe o quanto ele é grande”: assim, com poucas palavras, em uma resenha de viagem publicada em 1496, o veneziano Pietro Bembo resumiu seu espanto ao se deparar com o vulcão. Pois é, além de suas inúmeras e únicas belezas, a Sicília é pátria de “um senhor vulcão”, o Etna, que já no século V a.C. era chamado a “coluna do céu”, visto a sua grandiosidade.

Mas o Etna não é só importante por ter inspirado poetas e escritores, ele é um reservatório infinito de informações para os pesquisadores, além de ser repleto de lendas e curiosidades. Por isso, veja abaixo 13 fatos sobre o vulcão Etna!

1. O Etna é um vulcão ativo

O vulcão não está dormindo, aliás, suas erupções são bem comuns. Antes de 2001, o Monte Etna entrava em erupção em média uma vez a cada dois anos, mas desde então aumentou. No entanto, as erupções ocorridas nos dias atuais são relativamente inofensivas. Até o presente momento (porque não sei como vai ser mais tarde ou amanhã), a última grande erupção aconteceu em 2002. As outras centenas de erupções que ocorreram após essa, foram bem menores (enquanto escrevo este texto, o Etna está em erupção).

Existem dois tipos de erupções que ocorrem no Etna: erupções explosivas de suas crateras de cume e explosões de ventilação de flanco. As mais comuns são das cinco crateras do cume: a cratera nordeste, a voragine, a bocca nuova e a cratera de sudeste. No entanto, quando o flanco se abre, é altamente provável que cause uma explosão nas crateras do cume.

Erupção do Etna
Uma erupção vista de Taormina – Foto: Carlo Papale

 

Os antigos navegantes acreditavam que o Etna era o pico mais alto da Terra!

 

2. O Etna é o maior vulcão da Europa

O vulcão Etna ocupa uma área de 1.190 km² e tem o dobro do tamanho de um outro famoso vulcão italiano, o Vesúvio. Para se ter uma ideia, o Etna é maior que Londres e que cidade de Nova York!

Devido às dimensões do Etna, estima-se que quase um quarto dos habitantes da Sicília viva nas encostas e aos pés do vulcão. Catânia, por exemplo, que é a maior cidade aos pés do Etna, é a segunda maior cidade da Sicília, ficando atrás apenas da capital, que é Palermo.

A altura exata do Etna muda constantemente — aumenta com a adição de depósitos de lava quando entra em erupção e diminui quando a borda da cratera desmorona — mas geralmente fica em torno de 3323 metros. 

vulcão etna
Etna visto da estrada que liga Bronte a Randazzo.

 

3. Não é um só

Quando pensamos em um vulcão, nos vem em mente o clássico cone, com uma cratera, não é? O Etna é diferente. Ele não é um só vulcão, mas um aglomerado de vulcões, como definiu o vulcanólogo siciliano Mario Gemmellaro, ainda no início do século XIX.

No topo do Etna há cinco grandes crateras (as principais) e ao longo do edifício vulcânico, outras dezenas de crateras menores, como as crateras Silvestri, que ficam a 2000m de altitude.

Excursão ao Etna: Crateras Silvestri
As crateras Silvestre são inativas e podem ver visitadas tranquilamente, por qualquer pessoa.

 

4. É uma das principais metas turísticas da Sicília

O Etna não é só o maior vulcão ativo da Europa, mas também um dos maiores e mais insólitos pontos turísticos da Itália! Talvez você já tenha escalado uma montanha ou feito trekking morro acima, mas já caminhou, esquiou, pedalou ou fez snowboard em um vulcão ativo?

Durante o inverno, quando ficam cobertas de neves, as crateras se tornam imensos escorregadores.

Nenhuma viagem à Sicília é completa sem um passeio a este vulcão espetacular!

Saiba mais: Excursão ao Etna: como visitar o maior vulcão ativo da Europa

 

5. Para os sicilianos, o Etna é “fêmea”

Em portuuguês, vulcão é um substantivo masculino. Em italiano também é, il vulcano. Mas para os sicilianos, ainda mais especificamente para os habitantes de Catania e arredores, o Etna não é “o vulcão”, mas sim “a montanha”. Por esse motivo costumam chamá-lo(a) com pronomes femininos e atribuem apelidos como “mamma” (mãe), signora (senhora) e assim por diante.

Como os sicilianos dizem, l’Etna è femmina!

Excursão ao Etna
Eu e ela…

 

6. O nome Etna significa “eu queimo”

Vindo da palavra grega Aitna, o nome do vulcão Etna pode ser traduzido como “eu queimo”. Na mitologia grega, Aitna, filha de Urano (céu) e Gaia (terra) era a deusa do vulcão. 

Erupção do Etna - Foto: Gnuckx
Erupção do Etna – Foto: Gnuckx (Flickr)

 

Ainda, o vulcão também já foi chamado de Mongibello, que é uma mistura da palavra latina mons com gebel, que vem do árabe. Ambas as palavras significam a mesma coisa, monte. Uma redundância para afirmar que o Etna é o “monte dos montes”. Hoje em dia o termo Mongibello indica o cume do Etna com suas crateras.

Os árabes se referiam ao Etna como Jabal al-burkān ou Jabal Aṭma Ṣiqilliyya (“a montanha suprema da Sicília)

 

7. Ele é um vulcão jovem

Os geólogos afirmam que o Etna se formou “apenas” 500.000 anos atrás, tendo surgido do fundo do mar, em um golfo que existia na atual planície de Catânia. Ao longo dos milênios, e sobretudo nos últimos 60.000 anos, as camadas de cinzas e lava foram se sobrepondo, até criar a enorme montanha que vemos hoje.

Giardini Naxos, Sicília
O Etna visto de Giardini Naxos

 

8. Está estritamente ligado à mitologia

Além do nome, que deriva da deusa grega Aitna, o vulcão também está ligado a muitos outros mitos.

Na Grécia Antiga se pensava que o Deus do Fogo, Hefesto, vivia nas entranhas do Etna e era lá ficava a sua fundição. Dizem que o titã Prometeu roubou fogo do vulcão de Hefesto para entregar aos humanos.

Ainda segundo a mitologia grega, os gigantes Encélado e Tifão, que lutaram contra Zeus e Atena em uma batalha sagrenta, foram aprisionados no Etna e estão lá até hoje, sendo a causa das inúmeras erupções do vulcão.

vulcão etna
Parece que a fundição de Hefesto trabalha sem parar! Foto de gnuckx – Flickr.

 

9. Tem um ótimo solo para o cultivo de vinhedos

O rico solo vulcânico ao redor do vulcão Etna é perfeito para o cultivo de uvas, tornando-o uma das grandes regiões produtoras de vinho da Sicília. Muitas vinícolas próximas ao vulcão concentram sua produção nas uvas nativas Nerello Mascalese e Nerello Cappuccio, mas variedades internacionais como Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah também são muito cultivadas. 

Dica de vinícola no Etna: Gambino
Um pedacinho do vinhedo da vinícola Gambino, em Linguaglossa, cidadezinha das encostas do Etna

Leia também: Visitando uma vinícola no Etna: Gambino

 

10. É possível andar de trem em torno dele

A Ferrovia Circumetnea faz um circuito de cerca 110km ao redor do vulcão Etna, entre as cidades de Catania e Riposto, viajando em ambas as direções. A viagem geralmente leva pouco mais de três horas, oferecendo vistas espetaculares do vulcão, passando em meio a restos de lava solidificada.

Existem também várias estações ferroviárias adicionais ao longo da linha, tornando a Ferrovia Circumetnea uma ótima maneira de explorar a região.

Saiba mais: Uma viagem de trem ao redor do Etna

 

11. A maior erupção do vulcão Etna matou cerca de 20.000 pessoas

Era o dia 8 de março de 1669. O Monte Etna começou a dar sinais que entraria em erupção e a emitir nuvens de vapor. Apesar disso, os habitantes das cidades nas redondezas do vulcão permaneceram calmos, afinal estavam acostumados com isso. Ao longo dos três dias, não se fez nenhuma suposição sobre o que estava por vir, até que gases nocivos começassem a ser emitidos. Três mil pessoas que moravam nas encostas do Etna morreram asfixiadas.

Logo depois disso, a lava começou a derramar do Monte Etna, sendo empurrada com tanta força que as cinzas teriam sido vistas a mais de 160 quilômetros de distância. No lado sul da montanha, a lava começou a seguir em direção à cidade de Catania, onde viviam cerca de vinte mil pessoas.

 

A erupção de 1669 na pintura de Giacinto Platania na sacristia da Catedral de Catania

Em uma tentativa de proteger a cidade, uma equipe de 50 homens se dirigiu para a lava, tentando desviá-la de suas casas, tentando fazer com que ela fosse em direção à cidade vizinha de Paternò. Os que moravam em Paternò decidiram revidar. Nessa briga, a lava começou a se espalhar em Catania, destruindo a cidade e matando cerca de 17000 pessoas.

 

O Etna derramou lava por 122 dias. Foram  necessários 8 anos para que o magna esfriasse e, ainda muito tempo depois da erupção, a população ainda conseguiam ferver a água com ele!

 

12. O Vulcão Etna é um Patrimônio Mundial da Humanidade

O Etna foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2013. O vulcão também foi designado “Vulcão da Década” pela Associação Internacional de Vulcanologia e Química do Interior da Terra, que considera o Monte Etna digno de estudo.

Vulcão Etna

 

13. O vulcão Etna apareceu em Star Wars

No episódio “A Vingança dos Sith”, Obi-Wan Kenobi luta contra seu discípulo Anakin Skywalker na batalha de Mustafar. O lado sombrio tomou conta do jovem Jedi e George Lucas decidiu dar um “tchan” à cena capturando alguns fragmentos de uma espetacular erupção do Etna.

Vulcão Etna no filme Star Wars
Foto de Anshul Nigham – Flickr

A erupção foi real e realmente aconteceu enquanto o episódio ainda estava sendo filmado.

 

O vulcão Etna é, talvez, o maior símbolo da Sicília e nunca irá parar de nos maravilhar!

 

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