Santas Sicilianas: Agata, Luzia, Rosalia e outras mulheres extraordinárias

Atualizado em 10/09/2020


Algumas das santas sicilianas, mulheres nascidas na Sicília e reconhecidas como santas pela Igreja Católica, são cultuadas em diversas partes do mundo cristão. Outras são pouco conhecidas ou cultuadas apenas localmente.

Vamos então conhecer a história de seis mulheres particularmente amadas pelos sicilianos?

 

Santas Sicilianas: Ágata

Santa Ágata de Francisco de Zurbarán. Obra exposta no museu Fabre, em Montpellier, França

 

Ágata (ou Águeda) nasceu em Catânia por volta do ano 235 d.C. e pertencia a uma família nobre siciliana. Quando adolescente, foi pedida em casamento pelo cônsul romano Quinciano, o qual ficou completamente embasbacado com sua beleza.

No entanto, Ágata rejeitou o cônsul, pois tinha prometido sua virgindade à Cristo, e o que era amor se transformou em ódio. Quinciano mandou prender Ágata, a torturou e tentou corrompê-la, mandou cortar seus seios e, por fim, a mandou para as brasas ardentes. Ágata acabou morrendo na prisão no dia 5 de fevereiro do ano 250.

Em 1040, as relíquias de Santa Ágata foram levadas por um general bizantino para Constantinópolis, onde ficaram até 1126.

Naquele ano, a santa teria aparecido diversas vezes para um militar francês que se encontrava lá, pedindo-lhe que levasse seu corpo de volta para Catânia. O francês, junto com um amigo, conseguiu roubar as relíquias e as levou de volta para Catânia. 

Enfim, no dia 17 de agosto de 1126, para alegria geral dos cataneses, os restos da santa padroeira da cidade entraram na catedral.

Santa Ágata, padroeira de Catânia e também de San Marino, é celebrada no dia 5 de fevereiro. Ela é representada segurando uma bandeja com dois seios.

Leia também: A Festa de Santa Ágata em Catânia

 

Santa Luzia

Festa de Santa Luzia em Siracusa

Luzia (ou Lúcia) nasceu em Siracusa no ano 283 e pertencia a uma rica e nobre família, provavelmente cristã.

Quando tinha somente 5 anos, perdeu o pai. Além disso, a mãe dela sofria de uma doença grave. Sem mais saber o que fazer para curar a mãe, as duas decidiram fazer uma viagem até Catânia para rezar junto ao túmulo de Santa Ágata e pedir-lhe essa graça. Enquanto faziam as orações, Luzia teve uma visão onde Santa Ágata prometia que a mãe seria curada e que a moça se tornaria uma santa.

Após ter recebido o milagre, Luzia falou para a mãe dela que jamais se casaria e que doaria todos os seus bens para fazer caridade. A notícia chegou ao pretendente de Luzia, que tomado pela raiva, denunciou a moça ao arconte de Siracusa, Pascasio, que logo mandou prendê-la. Naquela época, o imperador romano Deocleciano havia decretado a perseguição às pessoas de fé cristã.

Durante o processo, Pascasio tentou convencer Luzia a renegar sua fé e realizar sacrifícios em louvor aos deuses romanos, mas ela não cedeu.

Depois de muito torturar a moça, mas sem obter resultados, Pascasio ordenou que jogassem óleo em Luzia e ateassem fogo, mas ela não se queimou.

Por fim, ordenou-se a decapitação de Luzia, que morreu em Siracusa no dia 13 de dezembro de 304. Dizem que seus olhos foram arrancados e, por isso, a tradição católica fez dela a santa protetora da vista, apesar de não existir nada que confirme esses fatos.

Para alguns, o emblema dos olhos na bandeja está ligado ao nome Luzia, que vem de Lux e significa “luz”.

Santa Luzia, padroeira de Siracusa e co-padroeira de Palermo, é celebrada no dia 13 de dezembro. Ela é representada segurando uma bandeja com dois olhos.

Leia também: Os lugares de Santa Luzia em Siracusa

 

Santas Sicilianas: Rosália

Santuário de Santa Rosalia em Palermo
Imagem de Santa Rosalia no santuário do Monte Pellegrino em Palermo.

 

Rosalia Sinibaldi nasceu por volta de 1130 em Palermo e pertencia a uma rica família que frequentava a corte do rei.

Quando ela tinha cerca de 13 anos, o Rei Guilherme da Sicília ordenou ao pai de Rosalia que ela se casasse com um conde.

Apesar da ordem, Rosália, que era uma linda garota loira de olhos azuis, recusou o casamento e decidiu entrar para a vida religiosa e viver em isolamento.

Um dos lugares onde Rosália viveu isolada do mundo foi uma gruta do Monte Pellegrino, que já naquela época se considerava um monte sagrado. Rosália viveu ali provavelmente cerca de 8 anos, até a sua morte, que acreditam ter acontecido no dia 4 de setembro de 1166.

Desde que Rosália se isolou na gruta, ninguém mais teve notícias. Tanto que, após sua morte, ninguém sabia onde estava o corpo dela.

Isso até que, em 1624, enquanto a população de Palermo era dizimada pela peste, o espírito de Rosália apareceu para uma doente e para um caçador. A este, Rosália indicou onde estavam seus restos mortais e lhe pediu que os mesmos fossem levados em procissão pela cidade.

Por onde as relíquias de Rosália passavam, os doentes se curavam e, assim, a cidade se livrou da peste. Desde então, a procissão se repete todos os anos.

Santa Rosalia, padroeira de Palermo, é celebrada em 4 de setembro, mas entre 10 e 15 de julho acontece o Festino, durante o qual se celebra a passagem da relíquia da santa por Palermo em 1624.

Uma curiosidade: Os Tâmeis, grupo étnico nativo de um estado da Índia e do Sri Lanka, que vivem em Palermo veem em Santa Rosalia a deusa Kali e todos os domingos vão ao santuário louvar a santa.

 

Santas Sicilianas: Ninfa

santas sicilianas - santa ninfa
Imagem de Santa Ninfa na Catedral de Palermo. Foto: José Luiz Ribeiro – WikiCommons

 

Santa Ninfa nasceu em Palermo na época do imperador Constantino, mas não se sabe exatamente em qual ano. Ela era filha de um prefeito, Aureliano, o qual se opôs radicalmente à conversão da filha ao cristianismo.

Tanto Ninfa quanto o bispo que a batizou, Mamiliano da Palermo, além de outros duzentos cristãos, foram presos e torturados por ordem de Aureliano.

Segundo a lenda, a intervenção milagrosa de um anjo os libertou e os guiou, via mar, à ilha de Giglio, onde permaneceram por muito tempo em um eremitério.

No entanto, como eles tinham um desejo muito grande de visitar os túmulos de São Pedro e São Paulo, deciriam ir a Roma. Logo depois de realizar seu sonho, Mamiliano morreu.

Ninfa fez com que Mamiliano fosse sepultado próximo ao mar, em Bucina. Todavia, apenas um ano depois, em 316 d.C., Ninfa também faleceu e foi sepultada ali.

Os moradores locais, durante um período de seca, oraram para Ninfa de modo que intercedesse a Deus pela chuva. O tão desejado milagre aconteceu e os fiéis começaram a adorá-la como uma santa.

Sua cabeça, mantida na igreja de Santa Maria in Monticelli em Roma desde 1098, foi transferida para a Catedral de Palermo em 1593 e colocada sob um altar.

Santa Ninfa é co-padroeira de Palermo e padroeira da cidade de Santa Ninfa, na província de Trapani. Ela comemorada no dia 10 de novembro. Seu principal atributo é um cálice com chamas.

 

Santas Sicilianas: Oliva

santas sicilianas
Imagem de Santa Oliva na Catedral de Palermo. Foto: José Ribeiro – WikiCommons

 

Os acontecimentos que contam a história de Santa Oliva não são por nada claros. As informações sobre sua vida chegaram aos dias de hoje através de um texto do século XIV encontrado em Termini Imerese, uma cidade próxima a Palermo, e de um lecionário do século XV.

Ela teria nascido em Palermo no ano 448, em uma família cristã e desde muito cedo se dedicou à caridade.

No entanto, em 454, Genserico, rei dos vândalos, conquistou a Sicília e começou a perseguir os cristãos. Enquanto isso, Oliva, mesmo sendo uma criança, confortava os prisioneiros e os incentivava a manter a fé. O rei, admirado com tanta fé, visto que não poderia fazer nada para impedir a menina, decidiu que não a mataria, mas a mandaria para Túnis.

Lá o sultão Amira a teria submetido a várias torturas inúteis e a abandonado no deserto. Tendo sobrevivido aos animais ferozes, após várias torturas ela teria sido decapitada após novas torturas.

Existem duas versões sobre onde está o seu corpo. Segundo uma, o corpo de Santa Oliva estaria enterrado em Túnis, tanto que existe até uma mesquita com seu nome (os árabes convertiram a igreja dedicada a ela em uma mesquita).

Por outro lado, uma crença popular diz que ela foi levada para Palermo e enterrada sob a pequena igreja dedicada à Santa, que foi incorporada à igreja de São Francisco de Paula.

Sua festa é celebrada em 10 de junho e seu símbolo é um ramo de oliveira. Santa Oliva é co-padroeira de Palermo e padroeira das cidades de Alcamo, Cefalù, Monte San Giuliano, Pettineo, Raffadali, Termini Imerese, Trivigliano.

Uma curiosidade: Santa Oliva é particularmente venerada (supersticiosamente) em Túnis porque se acredita que blasfemar contra ela leva a graves desgraças. Além disso, também se acredita que quando seu corpo for encontrado, o Islã acabará.

 

Santas Sicilianas: Tecla

Santa Tecla

Com um nome bem peculiar, Tecla é uma das santas sicilianas, mas seu culto não é muito difundido.

Ela nasceu no século II, em Lentini, cidade localizada entre Catania e Siracusa.

Tecla era uma moça com boas condições financeira, apreciada e conhecida por sua generosidade, especialmente durante as perseguições aos cristãos.

Ela hospedava e escondia em sua própria casa os perseguidos, de modo que estes pudessem escapar dos decretos imperiais romanos. Além disso, cuidava dos órfãos, das viúvas, dos mais necessitados e converteu vários pagãos.

Um certo dia, depois de ter ficado paralítica e com medo de não poder continuar a fazer caridade, ela ficou sabendo que três irmãos cristãos – chamados Alfio, Filadelfio e Cirino – estavam chegando à aldeia onde ela morava. Eles eram conhecidos pela realização de inúmeros milagres.

Assim, Tecla faz de tudo para receber a visita deles e conseguiu. Emocionada, acolheu os três irmãos e pediu que orassem por ela. Milagrosamente, depois da intercessão deles, ela se curou. 

Em seguida, quando os três irmãos foram presos, Tecla pagou os guardas romanos e, junto com sua prima Justina, conseguiu visitá-los, levando-lhes água e comida. Depois que Alfio, Filadelfo e Cirino foram martirizados, a mulher comprou seus cadáveres, permitindo que os corpos recebessem uma sepultura adequada.

Enfim, ela fundou uma igreja em sua cidade, que se ergueu acima do túmulo dos irmãos.

Tecla morreu em 10 de janeiro de 264, mas não foi martirizada. O que evitou que isso acontecesse foi a morte do governador Tertullo, seu perseguidor.

Santa Tecla, portanto, não recebeu a coroa do martírio, mas aquela tecida de boas obras. Ela é co-padroeira de Lentini, junto com os santos Alfio, Filadelfo e Cirino.

Celebra-se Santa Tecla em 10 de janeiro, dia de seu nascimento e é representada carregando consigo a igreja de Lentini.

 

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