Palermo é uma cidade tão rica de cultura e história, que fica até difícil escolher o que incluir em um roteiro curto. Mas se você é fã de história e arte, então não pode deixar de visitar o Palácio Real – também conhecido como Palácio dos Normandos – e a Capela Palatina de Palermo.

 O “Complesso Monumentale Palazzo Reale di Palermo” é o ponto chave do roteiro chamado “Palermo Árabe-Normanda”. Ele é formado por uma série de monumentos e palácios históricos que testemunham, como o nome já diz, o período em que os árabes e normandos dominaram a cidade. De fato, esses dois povos deixaram marcas profundas, não só na arquitetura, mas na cultura de Palermo e região.

Passeio em Palermo
Conheça o Palácio Real e a Capela Palatina fazendo um tour privativo em português. Saiba Mais.
Fachada da entrada turística, que na verdade é o fundo do Palácio Real. Foto: Wiki Commons (a chuva forte me impediu de tirar uma foto externa decente do edifício)

Fachada da entrada turística, que na verdade é o fundo do Palácio Real.

 

Palácio Real ou Palácio dos Normandos

O Palácio Real (ou Palazzo dei Normanni) é a residência real mais antiga da Europa. Hoje em dia é a sede da Assembléia Legislativa da Sicília e por isso, o acesso aos apartamentos reais são limitados nos dias de expediente.

A primeira estrutura do palácio real foi construída ainda na época da dominação árabe, no século IX. Posteriormente, com a chegada dos Normandos em Palermo em 1072, iniciaram as obras de reconstrução daquilo que era uma espécie de fortaleza-castelo, denominada Qasr. Em 1130, após a coroação de Rogério II, primeiro rei da Sicília, a fortaleza foi transformada em Palácio Real e centro do poder na ilha.

Além de núcleo principal do reinado normando, o Palácio Real se tornou também um importante centro cultural, com a criação da Escola Poética Siciliana.

No final do século XIV, durante a dinastia dos Aragão, o Palácio deixou de ser a residência real, e passou a ter somente função de defesa da cidade. O lugar acabou sendo abandonado, mas retomou sua importância na segunda metade do século XVI, período da dominação espanhola, quando passou a ser a sede da côrte do Vice-Rei.

pátio palacio dos normandos

Pátio do Palácio dos Normandos, denominado Cortile Maqueda. Este grande pátio, circundado por pórticos, foi construído justamente no período Espanhol.

A visita ao Palácio Real de Palermo

Depois de passar pela bilheteria, seguindo o itinerário de visita do Palácio Real, nos deparamos logo com esse imenso pátio, que não é de época normanda, mas foi construído durante o reinado dos espanhóis.

As colunas externas foram construídas no período do Renascimento Italiano, enquanto aquelas internas são de época medieval.

As colunas externas foram construídas no período do Renascimento Italiano, enquanto aquelas internas são de época medieval.

No segundo andar do Palácio Real há 13 salas, cada uma com um nome específico. Não é possível entrar na maioria delas, podem ser admiradas somente da porta. Também não é possível fotografar a parte interna das salas e tem sempre alguém vigiando para que nenhum espertinho ignore os inúmeros avisos espalhados pelo palácio.

O que posso dizer é que a riqueza das decorações das salas nos deixa de boca aberta. Sem dúvida os normandos amavam esbanjar poder e mostrar que dinheiro para eles não era um problema.

A Sala de Rei Rogério, um dos pontos altos da visita, é toda decorada com mosaicos que ilustram cenas de caça, plantas e animais exóticos, símbolos do poder normando.

Para vocês terem uma ideia, esta é uma fotografia retirada do livro Palazzo Reale di Palermo, de Franco Cosimo Panini.

Para vocês terem uma ideia, esta é uma fotografia retirada do livro Palazzo Reale di Palermo, de Franco Cosimo Panini.

Os cômodos maiores hoje são utilizados pelo Parlamento Regional Siciliano. Como visitei o Palácio Real em um domingo, pude ver praticamente todas as salas. Se você for lá de Terça à Quinta-Feira, certamente não conseguirá ver a maioria delas.

Para não dizer que não tirei nenhuma foto sequer dos interiores do Palácio Real, esta é a Sala de Imprensa da Assembléia Regional Siciliana, chamada de Sala Gialla (Sala Amarela).

Para não dizer que não tirei nenhuma foto sequer dos interiores do Palácio Real, esta é a Sala de Imprensa da Assembléia Regional Siciliana, chamada de Sala Gialla (Sala Amarela).

 

A Capela Palatina de Palermo

Um tesouro que é uma mistura de culturas e religiões, a Capela Palatina de Palermo foi construída por vontade do Rei Rogério II (sempre ele) após sua coroação.

Para a realização da capela, foram encarregados mestre da arte bizantina, islâmica e latina, e o que impressiona é o modo como esses estilos se fundem em modo harmonioso. Sem dúvida, é um verdadeiro deleite, para os olhos e para a alma.

Fila para entrar na Capela Palatina

Externo da Capela Palatina

Enfim, se você já tiver visitado a Catedral de Monreale, vai achar que a Capela Palatina é uma versão em miniatura do majestoso Duomo. Na verdade é mais ou menos isso, afinal ambas as igrejas foram construídas no mesmo período, durante a mesma dinastia.

Rei Rogério queria que a capela do seu palácio também demonstrasse a riqueza da sua dinastia. Na sua concepção, quando mais rica, mais abençoada. Dedicou a igreja a São Pedro e mandou chamar os maiores artistas da época para decorá-la.

Capela Palatina de Palermo

O altar principal é dominado pela imagem do Cristo Pantocratore (o Criador de Todas as Coisas), assim como na Catedral de Monreale. Os mosaicos foram realizados por artistas bizantinos e representam episódios importantes descritos na Bíblia.

Capela Palatina de Palermo

Nave esquerda

É possível observar um testemunho do encontro de culturas e religiões no teto da Capela Palatina. São as muqarnas, um elemento típico da arquitetura islâmica, que lembram alvéolos. Além disso, a estrutura é toda de madeira e nela foram pintadas cenas de caça, de guerra, de amor, animais mitológicos, artistas e até dançarinas do ventre! Pena que seria necessário um binóculo para conseguir enxergar os desenhos.

Daí você olha para cima e vê isso!

Daí você olha para cima e vê isso!

Enfim, praticamente em nenhum outro  lugar há um elemento de arquitetura islâmica decorado com figuras humanas. Isso torna a Capela Palatina um exemplar único no mundo.

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Funcionamento do Palácio Real e da Capela Palatina de Palermo

  • De segunda à sábado, das 8h15 às 17h40 (última entrada às 17h);
  • Domingos e feriados, das 8h15 às 13h (última entrada às 13h);
  • O complexo não abre nos feriados de 25 de Dezembro e 1º de Janeiro;
  • Aos domingos e durante algumas festividades, não é possível visitar a Capela Palatina das 9h45 às 11h15 porque é o momento de celebração das missas;
  • De terça à quinta algumas áreas do Palácio Real fica inacessíveis por causa do expediente da Assembléia Legislativa Siciliana.
  • Como a Capela Palatina não é muito grande, a entrada acontece em grupos a cada 20 minutos. Uma dica: tente ultrapassar os grupos de excursão para não ter que esperar mais tempo.

Ingressos:

  • Valor inteiro: € 18,00
  • Pessoas acima de 65 anos: € 14,50
  • Crianças até 13 anos entram grátis
  • Adolescente de 14 a 17 anos: € 10,00
  • De Terça à Quinta-feira o ingresso inteiro custa € 13,50 porque é possível visitar somente a Capela Palatina e algumas poucas salas do Palácio Real.

IMPORTANTE:

Para entrar nos museus e parques arqueológicos da Itália, bem como na Capela Palatina em Palermo, é necessário apresentar o Green Pass, isto é, o certificado de vacinação da COVID-19, um certificado de recuperação (menos de 6 meses) ou resultado de RT-PCR/antígeno negativo (máx. 48h). Os visitantes de países que não adotaram o Green Pass, podem entrar nos museus e locais de cultura mediante apresentação de certificação equivalente (ou seja, que apresente os mesmos dados do green pass) e que, no caso de vacinação, ateste o uso de uma das vacinas autorizadas na Itália (Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen), sempre acompanhado de documento de identidade. Estas medidas valem se aplicam a todas as pessoas com idade a partir de 12 anos.

LEIA TAMBÉM:  Catedral de Palermo: séculos de história em um só monumento

Como chegar ao Palácio Real de Palermo

Endereço do Palácio dos Normandos: Piazza Indipendenza, nº 1

  • De ônibus: Linhas 104; 105; 108; 110; 118 e 304 – De metrô: Parada “Orleans”
  • De carro: Não é nada fácil estacionar nos arredores do Palácio Real. Em grande parte das ruas é proibido estacionar, por isso é melhor procurar nas ruazinhas transversais à Via Vittorio Emanuele e ao Corso Re Ruggero.
  • Com um serviço de transfer: Chega de cruzeiro ou tem pouco tempo para explocar a cidade? No tour de Palermo com motorista, podemos incluir uma parada no Palácio Real. Saiba mais.

 

Outros links úteis

  • Para saber mais sobre o Palácio Real e a Capela Palatinade Palermo, visite o site da Fundação Federico II, instituição que administra o Complexo Monumental Palácio dos Normandos.
  • Por fim, clicando NESTE LINK, vocês podem fazer um tour virtual pelo Palácio Real de Palermo. É só clicar nos bonequinhos que aparecem e fazer um passeio prazeroso pelas salas do palácio e pela Capela Palatina.

5 comentários em “O que ver em Palermo: Palácio Real e Capela Palatina”

  1. Pingback: Botero em Palermo: Exposição Via Crucis, la Pasión de Cristo

  2. Walther Nogueira Santos Filho

    Olá Patrícia,
    Estivemos, eu e a Cláudia, em Palermo, entre os dias 30 de dezembro e 1 de janeiro e, infelizmente, não conseguimos ver o Palácio Real. Fomos lá no dia 31, chegamos por volta de 15:20, mas já havia fechado às 15:00, No dia seguinte, 1 de janeiro não iria abrir.
    Quero aqui agradecer a você pelas excelentes dicas que me deu para planejar a viagem. Aí vai um resumo:
    Chegamos em Roma no dia 25 de dezembro e ficamos 2 dias (nossa tereceira vez na “Cidade Eterna”).
    Em seguida, ficamos 2 dias em Napoli e visitamos Ercolano e Pompei. À noite do último dia, viajamos de navio, pela empresa Tirrenia, para Palermo. Jantamos à bordo, e dormimos em uma cabine muito legal. A viagem durou exatamente 10:15 e foi uma ótima experiência.
    Chegando em Palermo, deixamos as malas no hotel, caminhamos até a Estação Central e partimos, de ônibus, conforme a sua recomendação, para Agrigento, onde passamos o dia e ficamos encantados com o Vale dos Templos.
    Nos outros dois dias nevou em Palermo o que atrapalhou um pouco os passeios, mas gostamos muito da cidade, com destaque para vários restaurantes, o Museu Arqueológico, em reforma, mas que estava aberto parcialmente e o Teatro Massimo, aquele do final da trilogia O Poderoso Chefão.
    Pretendemos voltar a Palermo para visitar o Palácio Real e assistir a alguma apresentação no Teatro Massimo, além de muitos outros lugares que não deu tempo de ver.
    Viajamos, em seguida, para Siracusa, onde ficamos 2 dias na maravilhosa, charmosa e aconchegante ilha Ortigia. Visitamos o espetacualr Parque Arqueológico, mas ficou faltando ir ao Museo Paolo Orsi.
    Seguindo sua indicação, fomos de trem para Taormina, onde ficamos mais 2 dias. Tivemos a sorte de visitar o explêndido Teatro Grego no 1º domingo do mês, com entrada gratuita. A cidade é fantástica, com vistas espetaculares.
    Finalizando a Sicília, ficamos um dia em Catânia, onde visitamos o centro da cidade, que achamos muito interessante, mas, o que ficamos impressionadíssimos, foi com o Museo dello Sbarco in Sicília, que você me sugeriu.
    Depois, partimos para Roma novamente, de avião, pela empresa Ryanair, viagem que durou somente uma hora, também uma ótima dica sua. Ficamos lá mais um dia.
    Ficamos maravilhados com a Sicília. Superou todas as expectativas. Gostamos muito de todos os lugares que fomos, dos vinhos, da comida, dos arancini, das caponatas, das belas paisagens, do mar, do povo, etc.
    Você tinha absoluta razão: ficar na Sicília oito dias é muito pouco, mas já estamos planejando voltar.
    Grande abraço.
    Walther

    1. Oi Walther, adorei, adorei mesmo saber que deu tudo certo na viagem.
      Ganhei o dia lendo sua mensagem! Para mim é importante saber que minhas dicas são válidas.
      Um grande abraço,
      Patricia

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