A Casa Museu Pirandello, localizada a poucos quilômetros do Vale dos Templos, entre Agrigento e Porto Empedocle é, certamente, uma meta de amantes da literatura e do teatro. Desde 1987 a casa deste grande escritor, poeta e dramaturgo siciliano é um museu interativo aberto a todos aqueles que querem conhecer e aprofundar a obra de Luigi Pirandello.

Sem dúvida, através de suas obras, manuscritos, objetos pessoais, bem como as fotografias, cartas e os documentos que ilustraram os momentos mais significativos da vida de Pirandello, podemos percorrer a história do homem e do gênio que ele foi.

 

Mas quem foi Luigi Pirandello?

Pirandello nasceu em 28 de junho de 1867 em Girgenti (atual Agrigento), na casa de campo pertencente a um tio. Foi para lá que a família se mudara anos antes, fugindo da epidemia de cólera que então assolava a Sicília.

Seu pai era um comerciante de enxofre e esperava que o filho assumisse os negócios. Mas Luigi era um estudante brilhante de literatura e foi autorizado a prosseguir com os estudos. Ele entrou na Universidade de Roma em 1887, posteriormente transferindo-se para a Universidade de Bonn, onde concluiu uma tese de doutorado em seu dialeto siciliano nativo.

Sem dúvida, a sensação de tragédia e desilusão tão prevalente em suas obras é, sobretudo, o resultado de uma experiência pessoal. Aos 27 anos, casou-se com Antonietta Portulano, mas foi um casamento arranjado pelos pais. A moça era filha do sócio de seu pai e órfã de mãe, pois esta morrera devido ao ciúme doentio do marido, que não permitiu que um médico estivesse presente durante o parto.

O casal esteve bem até depois do nascimento do terceiro filho. Mas aí os problemas começaram a surgir, sobretudo quando os pais foram à falência devido a uma enchente que alagara as minas de enxofre. Nesse ponto, Antonietta sofreu um colapso mental e tornou-se extremamente violenta. Ela deveria ter sido internada mas, ao invés disso, Pirandello a manteve em casa por 17 anos, os quais foram muito difíceis para toda a família. De fato, a filha deles ficou tão perturbada com a doença da mãe que tentou suicídio.

A doença da esposa afetou profundamente a escrita de Pirandello, levando-o a impor a loucura, a ilusão e o isolamento em muitas de suas obras. Somente em 1919, após começar a ter um retorno financeiro com suas peças, conseguiu internar Antonietta em um sanatório particular.

Sua carreira

O primeiro romance amplamente aclamado de Pirandello, O Falecido Mattia Pascal, foi escrito em 1904. Nos dez anos seguintes, até a 1ª Guerra Mundial, ele publicou dois outros romances e vários contos. Em 1916, ele focou sua atenção pela primeira vez no teatro e rapidamente ficou fascinado com as possibilidades que ele apresentava. Inspirado, Pirandello escreveu nove peças em um ano. Em 1921, sua carreira chegou ao ápice em um período de cinco semanas, durante as quais ele escreveu suas duas obras-primas: Seis Personagens à Procura de Autor e Henrique IV.

Entre 1922 e 1924, Pirandello finalmente se tornou uma importante figura pública. Ele recebeu a Legião de Honra em Paris e, em 1925, abriu seu próprio Teatro de Arte em Roma. Apoiado por Mussolini nesta época, sua relação com o ditador gerou muita polêmica. Sabe-se abertamente que Pirandello apoiou o fascismo. De fato, ele é conhecido pela afirmação em que dizia “Sou fascista porque sou italiano”.

Posteriormente, alguns críticos usaram sua peça Os Gigantes da Montanha como um sinal de que ele estava começando a perceber os aspectos anticulturais do fascismo e os usou para defender suas ações. No entanto, em sua última aparição em Nova York, Pirandello emitiu voluntariamente uma declaração apoiando a anexação da Abissínia pela Itália. Pior, ele entregou sua medalha Nobel ao governo italiano para ser derretida para a campanha da Abissínia. Enfim, quaisquer que sejam seus motivos, o apoio de Mussolini trouxe-lhe fama internacional e apresentou aos principais centros teatrais sua versão do teatro.

O Prêmio Nobel e a morte

Seis Personagens à Procura de Autor marcaram o auge de sua carreira, mas Pirandello continuou a escrever até o momento de sua morte. Além disso, sua vida pessoal mudou para melhor quando conheceu a atriz Marta Abba, para quem escreveu a maior parte de suas peças posteriores.

Em 1931, a atriz Judith Anderson apareceu na Broadway em Como Você Me Deseja. Na versão cinematográfica, Greta Garbo assumiu o papel e, como resultado de sua influência, Pirandello recebeu o Prêmio Nobel em 1934.

Pirandello e Einstein durante a viagem do escritor aos Estados Unidos em 1935

Pirandello morreu em 1936, aos 69 anos, depois de contrair uma pneumonia.  Como ele já havia sofrido dois infartos, o corpo não aguentou. Sua morte foi celebrada com um funeral de estado, apesar dele ter deixado instruções que afirmavam: “Quando eu morrer, não me vistam. Envolvam-me nu em um lençol. Nenhuma flor na cama e nenhuma vela acesa. Carroça. Nu. E ninguém me acompanhe, nem parentes, nem amigos. A carroça, o cavalo, os cocheiros, e basta. Queimem-me.” No entanto, como a Igreja se opôs à cremação e o Partido Fascista se recusou a permitir um enterro pobre, seus desejos foram ignorados.

Certamente as peças de Pirandello continuaram vivas após sua morte e influenciou inúmeros escritores do século XX.

Algumas de suas obras traduzidas para o português

A casa museu Pirandello em Agrigento

casa museu pirandello

Hoje em dia, a casa onde nasceu e cresceu Luigi Pirandello é um museu bastante organizado e abriga um grande acervo de objetos, fotografias, cartas, resenhas, prêmios. Além disso, há algumas primeiras edições de livros com dedicatórias, manuscritos, pinturas e pôsteres das peças mais famosas de Pirandello.

Casa Museu Pirandello

Casa Museu Pirandello

O manuscrito de Os Velhos e os Novos.

Luigi Pirandello com os netos

Além disso, quem visita a Casa Museu Luigi Pirandello não pode deixar de percorrer o caminho à direita da casa, onde se encontra a tumba do escritor. O túmulo é uma pedra enorme com inscrições, uma escultura do artista Marino Mazzacurati. Na verdade, a área era o local favorito de Pirandello, e segundo ele era a mistura perfeita de sol, sombra e tranquilidade. Além disso, ele adorava sentar debaixo de um pinheiro grande neste jardim.

Em 1961, respeitando as últimas vontades de Luigi Pirandello, e na presença de autoridades, familiares, e personalidades do mundo da cultura, como Salvatore Quasimodo e Leonardo Sciascia, suas cinzas foram colocadas dentro de uma urna e muradas debaixo do pinheiro. No entanto, em novembro de 1997, o pinheiro foi destruído por um vendaval e, por isso resta apenas um pedaço do tronco.

Casa Museu Pirandello

A pedra sobre a qual estão as cinzas de Pirandello. Na poesia “Uma Noite de Junho”, Pirandello diz: “… Em uma noite de junho caí como um vagalume debaixo de um pinheiro solitário em um campo de oliveiras nas bordas de um planalto de argila azul de frente para o mar africano”.

Sem dúvida a casa e o “pinheiro solitário” ficaram na mente e na alma de Pirandello, tornando-se lugares míticos da sua criatividade. De fato, naquele campo havia passado a infância e a adolescência e, ele ficaria lá até 1929, escrevendo, pintando, inspirando-se.

Dicas para visitar a Casa Museu Pirandello

Infelizmente, até o momento da escrita deste post, não havia informações em inglês no museu. Por isso, se você não entende italiano, o ideal é que faça alguma pesquisa antes da sua visita ou contrate um guia de turismo. Mesmo assim, a casa é realmente interessante para ver, mesmo se você não consegue entender.

Casa Museu Pirandello

Em conclusão, a Casa Museu Pirandello é um lugar esplêndido e bem cuidado, que os amantes da literatura irão amar conhecer. Enfim, minha sugestão é que você combine este passeio com uma visita ao Vale dos Templos, que é a principal atração de Agrigento.

Informações

  • Contrada Caos, S.S. 115, Villaseta, Agrigento
  • Horário de abertura: das 9 às 19h
  • Ingressos: 4 euros
  • Visita à tumba de Luigi Pirandello das 9 até uma hora antes do por do sol.

IMPORTANTE:

Para entrar nos museus e parques arqueológicos da Itália, é necessário apresentar o Green Pass, isto é o certificado de vacinação da COVID-19, um certificado de recuperação (menos de 6 meses) ou resultado de RT-PCR/antígeno negativo (máx. 48h). Os visitantes de países que não adotaram o Green Pass, podem entrar nos museus e locais de cultura mediante apresentação de certificação equivalente (ou seja, que apresente os mesmos dados do green pass) e que, no caso de vacinação, ateste o uso de uma das vacinas autorizadas na Itália (Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen), sempre acompanhado de documento de identidade. Estas medidas valem se aplicam a todas as pessoas com idade a partir de 12 anos.

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