O vulcão da ilha de Vulcano, no arquipélago das Ilhas Eólias, ao largo da Sicília, é só um dos inúmeros vulcões presentes nesta incrível parte da Europa. Um cinturão de fogo italiano que criou paisagens magníficas!

Em outubro passado, a agência de proteção civil da Itália emitiu um alerta para a pequena ilha no Mar Tirreno, após uma série de mudanças significativas nos parâmetros vulcânicos. De fato, o nível de emissão de dióxido de carbono aumentou muito, fazendo com que fosse necessário evacuar uma parte da ilha, pois os gases são nocivos à saúde.

Sendo assim, decidi pesquisar mais sobre essa linda ilha pela qual me apaixonei e trago para vocês algumas curiosidades e fatos interessantes.

 

Um conjunto de vulcões

Antes de mais nada, Vulcano foi formada a partir de quatro vulcões que se fundiram em uma paisagem irregular. O único ativo é o Fossa, com o seu fumegante Gran Cratere.

 

A Therasia dos gregos

Primordialmente os gregos chamaram a ilha de Therasia (Θηρασία), depois Thermessa (Θέρμεσσα, fonte de calor), por causa de suas águas quentes.

 

A forja de Hefesto/Vulcano

A ilha de Vulcano é conhecida na mitologia grega como a sede das forjas de Hefesto, deus do fogo, da tecnologia e da metalurgia. O mesmo deus, na mitologia romana, se chamava Vulcano, do qual deriva o nome atual da ilha. Diz-se que o deus Vulcano, auxiliado pelos Ciclopes, forjou armas para os deuses.

 

Vulcano era a “porta do inferno”

Dizia-se que a ilha de Vulcano era a porta do inferno, por causa da contínua emissão de gases do solo e da paisagem de lava negra manchada com o tom amarelado do enxofre. Além disso, o odor penetrante de enxofre, bem como o borbulhar constante da lama e das águas do mar, impressionavam muito as pessoas, dando exatamente uma ideia de “inferno”.

De fato, por vários séculos, as únicas pessoas que moravam lá eram os escravos e prisioneiros que trabalhavam nas minas de extração de enxofre. Desde a época do Império Romano, essas pessoas eram mandadas para Vulcano para realizar esse trabalho. Em suma, era um lugar para onde iam pessoas que deviam ser punidas.

vulcão da ilha de Vulcano

O vulcão da ilha de Vulcano em erupção mais de 130 anos atrás

Em 1873 a ilha foi vendida ao escocês James Stevenson, que chegara à Itália para implantar uma lucrativa atividade econômica: a extração e processamento do enxofre. Ele chegou até a fazer fortuna, porém o negócio durou apenas 15 anos. Isso porque em 1888 um terrível terremoto sacudiu a ilha com tamanha violência, que destruiu tudo que havia ali. Foi assim que Stevenson fugiu de Vulcano, com a certeza que aquela era realmente a porta do inferno.

A última erupção do vulcão da ilha de Vulcano ocorreu há mais de 130 anos e durou de 2 de agosto de 1888 a 22 de março de 1890.

De porta so inferno a paraíso dos turistas

Depois do terremoto, permaneceu na ilha somente alguns colonos, pessoas que trabalhavam com agricultura e pesca. Foi só nos anos 50 que a ilha descobriu sua vocação turística, transformando-se em uma meta apreciada por causa da sua peculiar natureza vulcânica e da beleza e qualidade do mar.

A praia Acqua Calde tem o selo Bandeira Azul, por causa da alta qualidade de suas águas.

Praia da Ilha de Vulcano

A praia é preta por causa do vulcão

É possível subir a pé até a cratera do vulcão da Ilha de Vulcano

Aquele vulcão que havia causado tanto medo se tornou a principal atração da ilha. Percorrendo uma trilha de cerca 900 metros se chega ao Gran Cratere. A subida não é difícil e qualquer pessoa pode encarar, desde que tenha um preparo físico adequado para uma boa caminhada em subida.

Procede-se entre rochas e vegetação mediterrânea e, conforme se vai subindo, o panorama se alarga sempre mais. A vista lá de cima é incrível! Uma vez lá no alto, a vegetação desaparece e o forte odor de enxofre toma conta do ar. A emoção é grande, pois de um lado temos o horizonte, o mar e as outras Ilhas Eólias, enquanto do outro a cratera fumegante.

Ilha de Vulcano, Sicília

Chegando à base do vulcão.

Deu origem a um spa natural

Embora três dos vulcões da Ilha de Vulcano estejam extintos, ainda restam muitos resíduos da sua atividade na produção de enxofre. E é exatamente isso que fez da ilha um destino popular, sobretudo entre aqueles que buscam tratamentos naturais, que vão lá para ter uma experiência direta com a lama rica em enxofre.

De fato, em Vulcano há uma espécie de balneário natural constituído por uma lagoa de lama que provém do subsolo a uma temperatura constante de 34°C. As propriedades da lama são indicadas para tratar dermatites e doenças ósseas ou respiratórias, além de ser um tratamento milagroso para os pele, que sairá aveludada, mas com cheiro forte de enxofre, do qual dificilmente se livrará por pelo menos uma semana.

Lama ilha de Vulcano

 

Por fim, posso dizer que, embora o Etna e o Stromboli sejam os vulcões mais famosos da Sicília, o vulcão da ilha de Vulcano também tem um fascínio todo seu. Você concorda?

 

 

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