Antonello da Messina é o principal artista renascentista siciliano e, com seu trabalho, influenciou uma geração de artistas italianos.
Além disso, considerado por muitos uma espécie de “elo perdido” entre o Renascimento Italiano e a Pintura Flamenga, Antonello foi um dos primeiros pintores a trazer para a Itália as técnicas de pintura a óleo da escola flamenga.
Nascido na cidade de Messina por volta do ano 1430, Antonello iniciou seus estudos artísticos entre sua cidade natal e Palermo. No entanto, foi em Nápoles, cidade que acolhia artistas de várias partes da Europa, que o pintor completou seu aprendizado, sendo aluno de Colantonio.
Inspirações flamengas
Foi neste período que Antonello da Messina encontrou Renato I, Rei das Duas Sicílias e um grande apreciador da arte e da pintura que criou ao seu redor um ambiente multicultural, onde os princípios da escola flamenga se misturavam com as influências ibéricas.
Segundo alguns estudiosos, o primeiro contato do artista com pintores holandeses e provençais aconteceu justamente na côrte de Nápoles.

Não se sabe ao certo quem comissionou a obra, mas foi comprada pelo Barão Mandralisca, na ilha de Lipari. O Ritrato d’Ignoto Marinaio é comparado por muitos críticos de arte à Monalisa de Leonardo da Vinci.
O olhar misterioso, o sorriso irônico do personagem fez com que alguém reagisse tão mal àquele ar provocador ao ponto de atacá-lo, causando-lhe 15 arranhões.
Antonello da Messina, um grande viajante
Além de Nápoles, Antonello trabalhou em Roma, Milão, Toscana, Marche, Veneza e na Provença. Sendo assim, em suas viagens, encontrou diversos artistas da cena renascentista italiana, entre os quais Piero della Francesca.
Além disso, o pintor realizou uma série de obras sob encomenda e trocou muitas ideias com artistas da época. Enfim, após cinco anos viajando, retornou à Sicília, onde pintou principalmente quadros com temas religiosos.

Antonello da Messina e o tema da crucificação
Antonello também realizou uma série de obras com o tema “crucificação”. A primeira delas foi a “Crucificação de Sibiu” e possui muitas características da pintura flamenga.

Durante sua estadia em Veneza, Antonello da Messina apresenta à cidade a cor compacta e cristalina da pintura nórdica.
Sem dúvida, as obras do artista siciliano pintadas em Veneza são de extrema importância por causa da influência que essas exercitaram sobre os artistas locais, principalmente Giovanni Bellini. Além disso, o Retábulo de São Cassiano introduziu novas características no cénario artístico de Veneza.

Os Ecce Homo
Uma série de quadros de Antonello da Messina têm o mesmo nome. São os “Ecce Homo”, quadros que ilustram Cristo com uma expressão dolorosa, sangrando, e que transmitem grande sofrimento.
Sem dúvida os detalhes flamengos se casam perfeitamente com uma visão tipicamente renascentista.

Os últimos anos de Antonello da Messina
Antonello da Messina retornou à sua cidade natal em 1476. Ali retratou a beleza de sua terra, o mar do Estreito de Messina, uma cidade portuária assim como várias outras por onde passou.
Mas a vida do artista é repleta de mistério e há bem pouco material sobre sua biografia. Além disso, muitas obras também desapareceram, soterradas pelo terremoto que destruiu Messina em 1908.
Por fim, Antonello morreu de tuberculose em 1479, quando tinha somente 39 anos, e sua sepultura se encontra em Messina, na igreja de Santa Maria de Gesù Superiore.
Hoje em dia, as obras de Antonello da Messina podem ser apreciadas em diversos museus do mundo, como a National Gallery de Londres, o Museu do Louvre, o Metropolitan Museum of Arte de Nova Iorque, a Galeria dos Ofícios de Florença, só para citar alguns.
Museus da Sicília com obras de Antonello da Messina:
- Cefalù, no Museu Mandralisca;
- Messina, no Museu Regional;
- Palermo, na Galeria do Palazzo Abatellis (leia meu texto sobre este museu AQUI);
- Siracusa, na Galeria Palazzo Bellomo;

Não acredito que descobri esse artista depois de voltar ao Brasil depois de 30 anos. Me formei pela Belas Artes de São Paulo em 1982 e tirei alguns livros do baú no qual achei essa preciosidade. Ainda voltarei a Italia para deleitar as obras presencialmente…é uma verdadeira obra de arte…
Patricia, eu fiquei doida pelo que vi de Antonello no Palazzo Abatellis. Mais uma surpresa genial dessa surpreendente Sicília, um lugar muito especial. Bjo
Oi Cyntia!
Pois é, imagina que eu não conhecia nada de Antonello da Messina até começar a escrever o blog. Antes tarde do que nunca! :)
Beijos,
Patricia
Eu topei com ele por acaso, Patricia. Passei na porta do Palazzo Abatellis, resolvi entrar e amei!
É verdade; descobri por acaso depois de tirar um livro do baú depois de 40 anos..incrível…