Antonello da Messina: um gênio do Renascimento Italiano na Sicília


Atualizado em 24/08/2020

Antonello da Messina é o principal artista renascentista siciliano e, com seu trabalho, influenciou uma geração de artistas italianos.

Considerado por muitos uma espécie de “elo perdido” entre o Renascimento Italiano e a Pintura Flamenga, Antonello foi um dos primeiros pintores a trazer para a Itália as técnicas de pintura a óleo da escola flamenga.

Nascido na cidade de Messina por volta do ano 1430, Antonello iniciou seus estudos artísticos entre sua cidade natal e Palermo, mas foi em Nápoles, cidade que acolhia artistas de várias partes da Europa, que o pintor completou seu aprendizado, sendo aluno de Colantonio. 

 

Inspirações flamengas

Foi neste período que Antonello da Messina encontrou Renato I, Rei das Duas Sicílias e um grande apreciador da arte e da pintura que criou ao seu redor um ambiente multicultural, onde os princípios da escola flamenga se misturavam com as influências ibéricas.

Segundo alguns estudiosos, o primeiro contato do artista com pintores holandeses e provençais aconteceu justamente na côrte de Nápoles.

Antonello Ignoto Marinaio
Ritrato d’ignoto marinaio (retrato de um marinheiro desconhecido) foi uma das primeiras obras de Antonello da Messina (1470-72). É uma pintura a óleo sobre madeira, de 31 x 24,5cm, e está exposta no Museu Madralisca de Cefalú.

Não se sabe ao certo quem comissionou a obra, mas foi comprada pelo Barão Mandralisca, na ilha de Lipari. O Ritrato d’Ignoto Marinaio é comparado por muitos críticos de arte à Mona Lisa de Leonardo da Vinci.

O olhar misterioso, o sorriso irônico do personagem fez com que alguém reagisse tão mal àquele ar provocador ao ponto de atacá-lo, causando-lhe 15 arranhões.

 

Antonello da Messina, um grande viajante

Além de Nápoles, Antonello trabalhou em Roma, Milão, Toscana, Marche, Veneza e na Provença. Em suas viagens, encontrou diversos artistas da cena renascentista italiana, entre os quais Piero della Francesca.

Além disso, o pintor realizou uma série de obras sob encomenda e trocou muitas ideias com artistas da época. Após cinco anos viajando, retornou à Sicília, onde pintou principalmente quadros com temas religiosos.

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A Annunciata (Virgem da Anunciação) é um de seus quadros mais famosos, realizado por volta de 1476. A obra representa um passo fundamental da pintura renascentista italiana e está exposta na Galeria de Palazzo Abatellis, em Palermo.

Antonello da Messina também realizou uma série de obras com o tema “crucificação”. A primeira delas foi a “Crucificação de Sibiu” e possui muitas características da pintura flamenga.

Outro quadro como tema “crucificação”, realizado por volta de 1475. É uma pintura a óleo sobre madeira, guardada no Koninklijk Museum voor Schone Kunsten de Antuérpia, Bélgica. A paisagem ilustrada por Antonello é típica de Veneza e se repetirá em outra Crucificação.

Durante sua estadia em Veneza, Antonello da Messina apresenta à cidade a cor compacta e cristalina da pintura nórdica.

Sem dúvida, as obras do artista siciliano pintadas em Veneza são de extrema importância por causa da influência que essas exercitaram sobre os artistas locais, principalmente Giovanni Bellini.

O Retábulo de São Cassiano introduziu novas características no cénario artístico de Veneza.

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Esta é só uma parte do Retábulo de São Cassiano, obra realizada para a igreja homônima de Veneza. O retábulo foi dividido em várias partes e o que resta hoje está exposto no Kunsthistorisches Museum de Viena

Uma série de quadros de Antonello da Messina possuem o mesmo nome. São os “Ecce Homo”, quadros que ilustram Cristo com uma expressão dolorosa, sangrando, e que transmitem grande sofrimento.

Os detalhes flamengos se casam perfeitamente com uma visão tipicamente renascentista.

Ecce Homo exposto na Galeria do Collegio Alberoni de Piacenza e assinado "Antonellus Me pinxit"
Ecce Homo (1475) exposto na Galeria do Collegio Alberoni de Piacenza e assinado “Antonellus Me pinxit”

Os últimos anos de Antonello da Messina

Antonello da Messina retornou à sua cidade natal em 1476. Ali retratou a beleza de sua terra, o mar do Estreito de Messina, uma cidade portuária assim como várias outras por onde passou.

Mas a vida do artista é repleta de mistério e há bem pouco material sobre sua biografia. Muitas obras também desapareceram, soterradas pelo terremoto que destruiu Messina em 1908.

Antonello morreu de tuberculose em 1479, quando tinha somente 39 anos, e sua sepultura se encontra em Messina, na igreja de Santa Maria de Gesù Superiore.

Hoje em dia, as obras de Antonello da Messina podem ser apreciadas em diversos museus do mundo, como a National Gallery de Londres, o Museu do Louvre, o Metropolitan Museum of Arte de Nova Iorque, a Galeria dos Ofícios de Florença, só para citar alguns.

 

Museus da Sicília com obras de Antonello da Messina:

 

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3 comentários

  1. Patricia, eu fiquei doida pelo que vi de Antonello no Palazzo Abatellis. Mais uma surpresa genial dessa surpreendente Sicília, um lugar muito especial. Bjo

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