Gastronomia

Amaro Averna, a história de um clássico digestivo siciliano


O Amaro Averna é um digestivo siciliano, um clássico no final das refeições. Ele pertence à categoria dos licores “Amaro“, palavra que quer dizer “amargo” em italiano. Mas enfim, que tipo de bebida é essa?

Bem, o Amaro é uma bebida alcoólica, geralmente feita a partir de uma infusão de ervas ou frutas, que se costuma beber após as refeições para ajudar na digestão. Além disso, o sabor desses licores, como o próprio nome já indica, é amargo, mesmo quando o ingrediente predominante é doce.

A preparação do Amaro tem duas fases principais: a infusão e a destilação. As ervas e raízes infundidas são misturadas, moídas, pulverizadas, imersas em uma solução hidroalcoólica e deixadas para macerar por um período de vários meses.

Drink Black Manhattan feito com o Amaro Averna

O Amaro Averna apresenta uma cor que tende ao caramelo escuro, tem um sabor não excessivamente amargo e um teor alcoólico de 29% em média. No entanto, a receita original previa um teor alcoólico de 34%. O licor é bebido puro ou com gelo, como bebida digestiva ou para refrescar (neste caso, com muito gelo).

 

A longa tradição do Amaro

Na Antiguidade, já se usava as infusões de álcool e raízes para digerir longas refeições. Por exemplo, Hipócrates, o pai da medicina, lá na Grécia Antiga, recomendava um elixir de boa saúde, o qual era preparado com cevada, mel e ervas adicionadas ao vinho.

Dessa forma, a tradição de preparar licores digestivos se perpetuou ao longo dos séculos. Porém, com o tempo, deixou de ser um “remédio” e virou algo para se beber com prazer.

Quem era especialista em preparar Amaros eram os monges. De fato, segundo uma tradição antiga nascida nas abadias fortificadas beneditinas, e difundida na Europa através dos mosteiros cistercienses e cluníacos, os monges produziam, com sua própria receita, um elixir de ervas. Embora elas fossem “amargas”, eram agradáveis ​​e tinham, segundo as crenças populares, qualidades tônicas e terapêuticas. Em síntese, praticamente um “Biotônico Fontoura” para adultos!

 

A história do Amaro Averna

Os monges beneditinos da Abadia de Santo Spirito, em Caltanissetta, não ficaram de fora desta tradição. De fato, eles também criaram uma receita secreta!

Um certo dia, Frade Girolamo, em seu leito de morte, mandou chamar Salvatore Averna, um benfeitor da cidade. Eles se conheciam há muitos anos e Don Salvatore, um homem devoto, sempre foi muito próximo a ele, doando tecidos para as túnicas dos monges.

Sendo assim, antes de morrer, o frade quis agradecer de alguma forma o amigo, por tudo que ele fizera. Dessa forma, Girolamo deu a Salvatore uma receita antiga de um elixir feito apenas com ervas sicilianas, que os frades prepararam por vários séculos para aliviar distúrbios digestivos e febre.

A Abadia de Santo Spirito, onde foi criada a receita secreta. Ela fica a cerca de 3km do centro de Caltanissetta. Era originalmente uma fortaleza árabe que os normandos transformaram em abadia. O objetivo disso era converter ao cristianismo os muçulmanos que ainda viviam nas colinas da região. Foto: Wiki Commons.

Salvatore Averna era um comerciante de tecidos, um empreendedor. Como ele já conhecia o licor, inicialmente pensou em produzí-lo para a sua família e amigos, em sua própria casa de campo.

E foi assim começou a história do Amaro Averna

Posteriormente, em 1868, convencido pelos filhos, Salvatore transformou a casa em uma destilaria. No entanto, a produção ainda era muito pequena. Somente no final do século XIX, um dos últimos herdeiros de Salvatore, Francesco Averna, começou a mostrar o produto em feiras, tanto na Itália quanto no exterior. E foi assim que, de algum modo, o Amaro Averna chegou ao conhecimento do rei da Itália, Humberto I. Ele adorou a bebida ao ponto de tornar Francesco Averna o fornecedor oficial da Casa Real!

Com a morte de Francesco, em 1923, a tomar as rédeas da empresa foi sua esposa, Anna Maria Averna, figura importantíssima. Ela foi a primeira empreendedora mulher na história do Reino da Itália!

Depois de um século de sucesso, inclusive internacional, levando o nome da Sicília para o resto do mundo, em 2014, o Grupo Campari adquiriu 100% da Fratelli Averna, mantendo o coração dos negócios em Caltanissetta. Na verdade, somente a infusão macerada de ervas ainda é produzida na fábrica histórica. Depois disso, eles enviam a mistura para o norte da Itália, onde a produção é concluída e o Amaro Averna é engarrafado.

Como é feito o Amaro Averna

A receita do Amaro Averna, baseada em ervas, raízes, cascas e frutas locais, é coberta por um rigoroso segredo industrial. Para que se tenha uma ideia, somente duas ou três pessoas no mundo sabem os nomes e as quantidades corretas dos mais de 20 ingredientes que compõem a bebida.

De qualquer forma, entre os ingredientes conhecidos estão o limão siciliano, laranja amarga e romã. Todos os outros componentes são “extremamente secretos”.

Enfim, ervas, especiarias e frutas chegam à fábrica na via Xiboli, em Caltanissetta, provenientes de fornecedores de confiança  da região. Depois disso, elas são catalogadas e armazenadas com nomes inventados, os mesmos usados ​​por Frade Girolamo.

 

Onde comprar o Amaro Averna

Então, ficou curioso para provar o Amaro Averna? É possível encontrá-lo em qualquer supermercado da Itália por um preço médio de 13 euros (garrafa de 700ml), mas também na Amazon Brasil pelo mesmo valor ou até menos!

Em conclusão, podemos dizer que o Amaro Averna é o amaro siciliano mais famoso no mundo. E para provar essa receita secreta, só nos resta comprar uma garrafa, colocar para gelar e degustar este tradicional digestivo italiano, quem sabe após um café. Mas ele fica também perfeito com folhas de sálvia ou ramos de alecrim.

Por fim, veja abaixo o comercial do Amaro Averna estrelado por Andy Garcia, que interpreta Salvatore Averna, gravado em Cefalù!

 

 

 

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Patricia Kalil

Meu nome é Patricia Kalil, sou de Salvador e moro na Sicília desde 2007. Sou autora, editora, webmaster, analista de mídias sociais e gerente de SEO do Descobrindo a Sicília. Faço de tudo por aqui!

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