Messina

A Catedral de Messina e seu incrível relógio astronômico


Atualizado em 10/11/2020

Existem muitas catedrais majestosas na Itália e a catedral de Messina certamente não está no topo entre as mais bonitas. No entanto, há algo que a torna única: seu relógico astronômico mecânico.

Messina é quase sempre uma cidade de passagem. A “Porta da Sicília” é o principal local de chegada para quem vem, por via terrestre, do resto da Itália e porto de atraque de muitos navios de cruzeiros. É uma cidade que sofreu uma série de destruições ao longo da sua história e, por isso, acaba sendo mais moderna e menos atraente do que as restantes cidades sicilianas.

Messina - Sicília
A Catedral de Messina vista do alto com, ao fundo, o porto e os ferries que atravessam para a Calábria

A história da Catedral de Messina

A Catedral de Messina, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, está localizada no centro histórico da cidade. É, sem dúvida, seu principal ponto turístico. As origens da Catedral de Messina remontam ao período normando, ou seja, ao século XII.

A catedral tem uma história infeliz de destruição. Ao longo dos séculos, as estruturas originais do edifício sagrado sofreram frequentes transformações, às vezes com a adição de elementos arquitetônicos e decorativos que favoreciam o gosto da época. Isso quase sempre ocorreu devido aos danos causados ​​por eventos desastrosos, principalmente causados ​​por terremotos, e a consequente necessidade de reconstrução total ou parcial.

A primeira destruição ocorreu em 1254, causada por um incêndio, durante o funeral de Corrado IV. Com o arcebispo Guidotto De Abbiate (1304-1333), começou um período de enriquecimento lento, mas contínuo, que durou até o final do século XVI. Importantes elementos decorativos foram introduzidos, como os mosaicos, a decoração do teto, os esplêndidos portais, o revestimento de mármore da fachada, o imponente complexo de Apostolado, cujo autor, Giovanni Angelo Montorsoli, era discípulo e colaborador de Michelangelo.

Depois veio o barroco, com a sobreposição de elementos que desfiguraram a nobreza e a simplicidade das linhas: estuques, querubins, festões, uma infinidade de altares; os arcos pontiagudos foram transformados em arcos românicos. Após o terremoto de 1783, a estrutura foi modificada para sobrepor uma cúpula de madeira no cruzamento da nave com o transepto. A torre do sino foi demolida e duas torres neogóticas ladeavam os absides.

Com o terremoto de 1908, a Catedral de Messina desabou quase completamente. A reconstrução, realizada na década de 1920, trouxe o templo de volta às suas linhas originais. Graças às obras de restauração, foi possível recuperar quase todas as obras de arte.

Mas chegou a II Guerra Mundial e com ela mais destruição. Na noite de 13 de junho de 1943, duas peças incendiárias lançadas durante um ataque aéreo aliado transformaram a Catedral, inaugurada apenas 13 anos antes, em uma fogueira. Restaram apenas as estruturas do perímetro, enquanto o que havia sido recuperado após o terremoto foi quase inteiramente reduzido a cinzas. Cabia ao arcebispo Monsenhor Angelo Paino, que já havia ressuscitado o templo dos escombros do terremoto, providenciar a nova reconstrução.

Por dentro

Em 13 de agosto de 1947, a Catedral foi reaberta para o culto e recebeu o título de Basílica do Papa Pio XII. As estátuas, os mármores e mosaicos são quase todas cópias valiosas dos originais perdidos.

 

O Relógio Astronômico da Catedral de Messina

À parte a história sofrida da Catedral de Messina, o que chama a atenção mesmo e o que leva, todos os dias, centenas de pessoas a visitá-la, é sua torre. Com uma altura de 90 metros e uma base de cerca de 10 metros, a torre do sino com  relógio astronômico é uma maravilha. É o mais complexo relógio mecânico astronômico do mundo!

Feito pelos irmãos Ungerer de Estrasburgo e inaugurado em 1933, todos os dias da semana, ao meio-dia, inicia o movimento de várias peças de bronze que se movem ao som da Ave Maria de Schubert, por cerca de 12 minutos.

 

A história do Relógio Astronômico

No início do século XVI, Martino Montanini, um arquiteto italiano, planejou o que seria o mais alto campanário da Sicília, com seus 90 metros. Atingida por um raio em 1588, a torre foi reconstruída por volta de 1575.

A base da torre sineira abrigava originalmente os arquivos da cidade, que foram levados pelos espanhóis em 1678 e transportados para Sevilha, onde permanecem até hoje.

A antiga torre sineira, danificada pelo terremoto de 1783, foi demolida logo depois. A torre atual é majestosa, mas ainda é apenas uma imitação de sua antecessora.

O arcebispo Monsenhor Angelo Paino, em 1930, trabalhou na reconstrução da torre sineira com base em um projeto do arquiteto Francesco Valenti e tinha um plano elaborado para a construção de um relógio mecânico astronômico. A tarefa foi entregue à empresa Ungerer, em Estrasburgo, que a construiu após três anos de trabalho. O relógio, projetado para representar a história civil e religiosa de Messina em sete cenas, foi inaugurado em 13 de agosto de 1933. O evento é lembrado por uma placa colocada no lado sul da torre do sino.

O movimento

O relógio astronômico é composto de dispositivos com engrenagens e alavancas, independentes em sua operação individual, correspondentes às várias cenas. Ele é acionado e obtém sua energia cinética a partir de um poderoso mecanismo de contrapeso do relógio, situado no andar central do edifício.

O ápice da torre é composto por uma cúspide quadrangular, cercada por outras quatro cúspides inferiores, que incluem os quatro quadrantes das horas, um de cada lado.

As sete cenas a seguir estão posicionadas abaixo dos mostradores: o Leão, o Galo com Dina e Clarenza e os sinos de um quarto e de hora, a Madonna della Lettera (Nossa Senhora da Carta) com o anjo e quatro embaixadores messineses, as cenas bíblicas (adoração dos pastores, adoração dos Reis Magos, ressurreição de Cristo, a descida do Espírito Santo), igreja de Montalto, curso da vida humana, dias da semana.

Cinco das sete cenas se movem todos os dias após o sino bater as 12 horas, enquanto as outras duas se movem ao longo do dia. No lado da torre que fica de frente para a fachada da catedral, há representações das fases da lua, do planetário e do calendário perpétuo.

O Leão

À medida que soa o meio dia, inicia o movimento deste mecanismo incrível. O primeiro deles é o leão. A cauda se move, ele agita sua bandeira e ruge três vezes seguidas. O leão simboliza a força de Messina.

Torre do relógio astronômico da Catedral de Messina. O povo louco filmando os movimentos.

O galo, Dina e Clarenza

O galo logo abaixo do leão, representa o despertar. Quando o leão termina de rugir, o galo começa a bater as asas, levantando a cabeça e canta por três vezes seguidas.

Duas estátuas de mulheres de ambos os lados do galo sinalizam as horas e os quarto de horas (cada 15min) batendo nos sinos. Essas duas são figuras históricas reais: Dina e Clarenza, duas mulhetes que salvaram a cidade de um ataque surpresa durante o cerco à guerra das Vésperas Sicilianas em 1282.

Os outros carrosséis

No centro da torre, abaixo do galo, há outra abertura com um quadro de figuras em movimento. São um anjo, São Paulo e três embaixadores de Messina que aparecem e desaparecem através de “portas” ao redor da figura estática da Madonna della Lettera. A Madonna supostamente enviou uma carta à cidade oferecendo proteção eterna através dos embaixadores enviados por São Paulo a ela em Jerusalém. Essas figuras também se inclinam para a Virgem antes de continuar.

Cenas bíblicas são retratadas em outra cena da face da torre. Eles mudam de acordo com a época do ano, então você só verá uma quando estiver lá. Existem quatro cenas: A adoração dos pastores (visível do Natal ao dia de reis); adoração dos Magos (do dia de reis à Páscoa); a ressurreição (da Páscoa ao Pentecostes); e descida do Espírito Santo (Pentecostes até o Natal).


Outro símbolo mecânico aparece na torre do sino: a igreja de Monalto, que ergue-se de uma colina rochosa e uma pomba que voa ao seu redor. Esta cena descreve a história de Fra Nicola, sua visão e a construção da igreja de Monalto em 1294.

Existem outros dois carrosséis de figuras de bronze: um representando as quatro fases do homem e o outro representando os sete dias da semana. Este último muda diariamente.

Carrossel com as fases da vida humana, do nascimento, à juventude e morte, esta representada pelo esqueleto com a foice.

 

Uma dica: Quando for a Messina, esteja na praça antes do meio dia para conseguir uma boa posição para ver todos os movimentos.

Você também pode visitar a torre e ver as obras mecânicas por trás da tela. Os horários de funcionamento variam muito, portanto, verifique AQUI antes de ir. Os bilhetes custam 4 euros, mas o bom mesmo é ver por fora, que é grátis!

 

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