Selinunte

Selinunte: a beleza do maior parque arqueológico da Europa

Selinunte é uma área arqueológica localizada na costa sudoeste da Sicília, naquele cantinho da ilha que “olha” para a África. Um lugar lindo, fascinante, com uma história milenar e enorme, porque ele é nada mais nada menos que o maior sítio arqueológico da Europa.

Ao contrário de outros sítios arqueológicos da Sicília, rodeados de construções e um pouco contaminados com a paisagem urbana, Selinunte – assim como Segesta – tem uma beleza natural de todo respeito graças ao ambiente que o circunda. Banhada de um lado pelo mar, a antiga acrópole e as ruínas dos oito templos ocupam uma encantadora paisagem onde crescem flores do campo, ervas aromáticas e o aipo selvagem (em grego, selinon) que deu o nome à antiga colônia.

 

Um pouco da história de Selinunte

A antiga Selinus foi fundada provavelmente no ano 651 a.C., pelos gregos de Megara Iblea (outra colônia próxima a Siracusa), atraídos pela fertilidade da área, uma várzea. A colônia cresceu e prosperou por cerca de 200 anos, até que começou a gerar inveja na vizinha Segesta. Porque desde que mundo é mundo, ninguém pode ter sucesso sem despertar ódio e inveja nos outros, não é mesmo?

Lugar lindo, né?

No ano 409 a.C., depois que Selinunte se aliou com Siracusa na guerra contra Cartago, Segesta, por sua vez, fez uma aliança com a grande potência africana. Um certo dia, Segesta mandou um exército de mais de 100.000 soldados invadir Selinunte, que nada suspeitava. Foram mortos mais de 16.000 selinuntinos e outros 5000 foram escravizados, sendo que na época a população era de cerca 30.000 habitantes. A cidade foi derrotada em nove dias e nunca mais conseguiu se reerguer, sendo abandonada definitivamente cerca de 150 anos depois do massacre.

Algumas teorias afirmam que não foi só o ataque de Segesta o responsável pela destruição e abandono da cidade, mas também uma série de terremotos que aconteceram ao longo dos séculos.

A área arqueológica foi redescoberta somente no século XVI e a partir de 1820 iniciaram as escavações, que duram até hoje.

A visita ao Parque Arqueológico de Selinunte

Ao chegar à entrada principal, já ficamos impressionados com a amplitude desta área arqueológica e a beleza de sua paisagem. É possível seguir trilhas diferentes que vão nos levando através de uma natureza intocada a muitos dos monumentos, ou melhor, suas ruínas, ainda existentes.

Ao contrário do Vale dos Templos de Agrigento, em Selinunte a maior parte dos templos está destruída. Na verdade, foi por causa da distância e devido ao fato que eu achava que seria somente um “monte de pedras” que sempre adiei a minha visita ao sítio arqueológico. Isso até o dia em que me encontrei naquela área da Sicília e decidi conhecer o parque. Neste dia, percebi que estava redondamente enganada e me perguntei como pude esperar tanto para visitá-lo. Selinunte é um lugar lindíssimo, com uma história fascinante e ganhou meu coração.

As ruínas dos templos

As ruínas dos templos de Selinunte estão subdivididas em três grupos: três templos na colina oriental, cinco templos da antiga acrópole (cidadela) e a área sagrada do santuário de Demetra Malophoros. Os oito templos são indicados por letras, pois os arqueólogos ainda não descobriram a qual deus cada um deles fosse dedicado.

A visita inicia na colina oriental, onde fica a bilheteria e o estacionamento. Nesta área ficam os templos E, F e G.

O Templo E em Selinunte é aquele melhor conservado. Ele foi construído entre 480 e 460 a.C.

Eu falei que os templos são indicados por letras porque não se sabe a qual deus fossem dedicados. Na verdade, o único tempo que conseguiram associar a um deus foi o E. Ele seria o Templo de Era, deusa da fertilidade e do casamento, esposa de Zeus.

Selinunte
O templo E visto por dentro.

O templo E e F está bem conservado, mas do F e do G restam apenas algumas colunas em pé em meio a enormes blocos de pedra. Cabe a nós usar a imaginação!

O que resta do templo E e do templo G (em segundo plano).

Apesar de estar em pé apenas uma coluna, sabe-se que o templo G era o segundo maior templo da Sicília, com um comprimento de 110m e 50m de largura, perdendo somente para o templo de Zeus em Agrigento (deste também não resta quase nada). A disposição das colunas era exatamente como a do Pártenon em Atenas (17 colunas x 8).

Depois de ver estes três templos, seguimos para a Acrópole. Caminha-se cerca de 10/15 minutos, mas se você estiver de carro, como nós estávamos, basta voltar ao estacionamento, buscar o veículo e seguir de carro até a área mais alta do parque. No acesso à acrópole fica um funcionário que pede novamente para você mostrar o ingresso.

Na acrópole surgiam os edifícios civis e religiosos da antiga Selinus, além de algumas poucas residências das famílias mais em abastadas. Lá é possível ainda ver o que resta do Templo C, que remonta ao início do século VI, o mais antigo do sítio arqueológico.

Selinunte
Templo C em Selinunte
De outro ponto de vista.

Uma curiosidade: as métopes (os painéis que decoravam as paredes externas dos templos) do templo C estão expostas no Museu Arqueológico de Palermo. Veja a foto abaixo.

Museu Arqueológico de Palermo
Painéis que decoravam as paredes externas do Templo C de Selinunte. Eles estão expostos no Museu Arqueológico de Palermo, assim como outros achados provenientes das escavações.

 

Dicas práticas para quem vai visitar Selinunte

Agora vamos àquelas diquinhas básicas para você organizar seu passeio da melhor maneira possível.

  1. Dedique no mínimo duas horas inteiras a este passeio. O lugar é enorme e para ser apreciado com calma.
  2. Use um calçado confortável, vai por mim! Há partes do terreno cheios de pedregulhos, irregulares. Não vá de salto!
  3. Se for visitar Selinunte no verão (quer dizer, entre junho e setembro), evite as horas centrais do dia, ou seja, entre 10 e 17h. O calor é forte e não há zonas sombreadas.
Um vendedor de granita em Selinunte. Amigos, esse lugar no verão é pior do que o sertão do nordeste!

4. Quem não pode ou não quer caminhar muito, pode optar pelo trenzinho que circula lá dentro. O pacote “uma parada”, isto é, somente para ver o templo E, custa 3 euros. O pacote “duas paradas”, para ver a colina oriental e a acrópole, custa 6 euros. É caro, eu sei.

Os trenzinhos ficam paradas logo após a bilheteria.
  • 5. O ingresso do parque arqueológico de Selinunte custa 6 euros. No primeiro domingo do mês a entrada é gratuita.
  • 6. O parque fica aberto das 9 às 18h no verão e das 9 às 16h no inverno.
  • 7. Depois de visitar Selinunte, você pode chegar facilmente à vila em 5 minutos a pé e escolher um dos vários bares e restaurantes. Especialmente no verão, Marinella di Selinunte fica cheia de pessoas aproveitando as férias.

 

Tour em português: A Raffaella, guia que fala português, pode acompanhar você em um passeio privativo em Selinunte saindo de Palermo. Saiba mais.

 

Como chegar a Selinunte

Antes de explicar como chegar, é importante que saibam que Selinunte não é uma cidade. O parque arqueológico fica no município de Castelvetrano, mais especificamente na localidade de Marinella di Selinunte, que é a parte litorânea de Castelvetrano.

Você pode visitar Selinunte a partir de Palermo, de Trapani, Agrigento ou outra cidade do sudoeste da Sicília. Eu, por exemplo, aproveitei para visitar Selinunte quando me hospedei no Verdura Resort em Sciacca.

 

De carro: É o modo mais simples e cômodo para chegar a Selinunte, quer você esteja hospedado em Palermo, em Trapani ou Agrigento. A estrada é boa, o estacionamento bem grande, enfim, chega-se facilmente.

De ônibus: É possível ir a Selinunte com transporte público a partir de Palermo e Trapani. Não é exatamente o máximo, pois é necessário pegar dois transportes, mas é o que temos. De Palermo, pegue o ônibus para Castelvetrano da companhia Salemi. Uma vez em Castelvetrano, é preciso pegar outro ônibus para Marinella di Selinunte. Este ônibus para próximo ao parque. Se você está em Trapani, pegue um trem para Castelvetrano e de lá o ônibus para Marinella di Selinunte.

Com um transfer particular: Você pode visitar Selinunte e muitos outros lugares da Sicília utilizando os serviços de transfer particular. Solicite um orçamento AQUI.

Um pedacinho do mar visto do parque. É a praia de Marinella di Selinunte.

 

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3 Mensagens

  1. Oi Patricia, tudo bem?
    Estou montando uma viagem às pressas para a Sicília, então estou com algumas dúvidas, que eu acho que vc pode me ajudar. Estarei em Nápoles e vou para Taormina de trem e ficarei em Taormina por 4 noites , para dali sair para conhecer alguns lugares. Depois a ideia é ficar mais 5 noites em Palermo, pois o meu voo de volta parte de lá. Mas de trem de Taormina para Palermo não tem trem direto e estou preocupada pois estou viajando com a minha mãe que já é idosa. Então teria uma maneira mais confortável de fazer essa viagem?

    • Patricia Kalil

      Olá Bertai,

      A troca de trem, que é feita em Catania ou é Messina, é simples. Mas se você estiver com muita bagagem ou malas pesadas, aí pode sim pode ser um pequeno problema.
      De qualquer forma, o modo mais confortável é de carro, com um transfer particular. Não é barato, porque a distância é bem grande (custa 300 euros), mas o motorista pega vocês no hotel em Taormina, deixando no outro hotel em Palermo.
      Infelizmente também não há ônibus diretos de Taormina e Palermo, sendo necessária uma conexão em Catania.
      Se quiser reservar o transfer, veja aqui -> https://descobrindoasicilia.com/transportes-na-sicilia/transfers/

      Um abraço,

      Patricia

  2. Oi, Patrícia. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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