Roteiro entre Malta e Sicília: a viagem de 11 dias de Débora

Um roteiro entre Malta e Sicília é algo que muitos leitores aqui do blog fazem ou sonham fazer. Esse foi o caso da Débora, que junto com o marido, fez uma viagem maravilhosa de 11 dias pelas duas ilhas no último mês de fevereiro. Eles costumam viajar duas vezes por ano, são apaixonados por arte, arquitetura e história. Enfim, não poderiam ter escolhido destinos melhores!

Assim, com muito prazer, publico o roteiro da Débora, que com muito carinho, logo após ter voltado de viagem, preparou o relato para que ele fosse compartilhado e possa ajudar quem ainda está planejando a própria viagem

 

Roteiro entre Malta e Sicília – por Débora Spinola

Eu e meu marido resolvemos visitar a Sicilia principalmente depois de conhecer o blog da Patrícia Kallil, que é muito completo e elucidativo. Com base nas suas dicas certeiras, montamos um roteiro de 11 dias, sendo os 2 primeiros em Malta. Todos os detalhes podem ser vistos no blog Descobrindo a Sicília, que foi a base do nosso planejamento. Obrigada, Patrícia, pelo fantástico trabalho!

Foto: Debora Spinola

1º dia em Malta: Valletta

Chegamos em Malta em um voo da Alitalia com conexão em Roma.

Malta é um país com uma cultura muito rica, pois por ali passaram diversas civilizações: fenícios, gregos, romanos, árabes ….e cada um deles deixou sua marca. Ali também se fixaram os Cavaleiros da Ordem de São João dos Hospitalários, uma ordem militar cristã, por volta do século 16. O apóstolo Paulo permaneceu escondido na ilha depois de um naufrágio. Mais recentemente, foi colônia inglesa até 1964, quando ficou independente. Ufa…é muita história para um pequeno, mas deslumbrante país.

O local é muito apreciado no verão por suas praias de águas cristalinas, mas no inverno tem seu charme.

Do aeroporto, pegamos um transfer coletivo no valor de 4 euros por pessoa, que acabou sendo privativo. Em 15 minutos estávamos no Grand Harbor Hotel, em Valletta.

Já no caminho nos encantamos com a ilha e sua arquitetura monocromática! Malta é muito diferente do que já havíamos visto em nossas andanças.

O hotel era bem agradável e do terraço pode-se avistar todo o porto.

Mais tarde, fomos caminhando até o centro de Valletta e visitamos a Igreja de São João, a linda co-catedral construída pelos Cavaleiros da Ordem de São João no século 16. Seu interior é belamente ornamentado e no oratório podemos ver um quadro de Caravaggio – A Decapitação de São João, uma das obras primas do grande pintor, entre
outras obras de arte.

Continuamos o passeio andando pelas ruas estreitas da cidade antiga e paramos para almoçar em um restaurante típico, mas com uma pasta deliciosa, o Luciano’s.

2º dia em Malta: Mdina

No segundo dia, fomos ao Upper Barrakka Gardens, um jardim público com arquitetura românica de arcos do século 17 e dali contemplamos a baía de Gran Harbor e as três cidades, Birgu, Senglea e Bormla.

Em seguida, negociamos com os taxistas locais e pelo valor de 40 euros fomos para Mdina, uma cidade a poucos quilômetros dali. Existem ônibus que fazem o percurso, mas estava muito frio e não tínhamos muito tempo…

Mdina é a antiga capital do país, uma cidade medieval amuralhada conhecida como a “cidade silenciosa” devido a sua tranquilidade. Sua origem é fenícia, mas sofreu influências principalmente dos árabes a partir do ano de 870.

A cidade é linda, muito bem preservada, com ruas estreitas e casas em tom de ocre. É maravilhoso se perder por suas ruelas labirínticas, chegar até a cátedra e seguir caminhando até muros, de onde se tem uma vista fantástica de quase toda ilha de Malta e da cidade de Rabat, onde se estabeleceu São Paulo na ocasião do naufrágio.

Nas muralhas está o restaurante Fontanella, um lugar agradável para uma refeição e com uma linda vista.

À noite passeamos por Valletta e seus pontos turísticos, como a Valletta Waterfront e a Triton Fountain e caminhamos sem rumo pelas ruas antigas, voltando no tempo naquele lugar mágico.

Malta tem muito mais a oferecer, tanto em termos históricos (Museu de Arqueologia, Museu da Ordem dos Cavaleiros de Malta, Casa Rocca Piccola, Templos Megalíticos da idade do bronze) como praias relaxantes, mas o que vimos nos deixou muito felizes de termos feito o passeio.

Leia também: Como ir de Malta para a Sicília

 

3º dia – Catânia

No dia seguinte, pegamos um voo da Ryanair para Catânia. Existe a opção de ir de catamarã, mas no inverno o horário é às 6 da manhã, o que nos desanimou.

Chegamos a Catânia pelo aeroporto, depois de 2 dias em Malta, um país fascinante. Utilizamos o transfer oferecido pelo nosso hotel por 25 euros, o Best Western Mediterraneo. Um bom hotel, bem localizado, confortável, com um excelente café da manhã e funcionários atenciosos.

Logo saímos para dar um passeio pela cidade. No caminho para Via Etnea nos deparamos com um teatro romano no meio da cidade, o Anphiteatro Romano. É uma visão maravilhosa devido ao inesperado, apesar de ser apenas uma parte do que foi outrora.

Anfiteatro Romano de Catania. Foto: Debora Spinola

Continuamos andando pela Via Etnea, uma rua cheia de lojas, cafés e restaurantes que termina na Piazza do Duomo.
Ali visitamos a Catedral de Santa Agatha, que foi construída e reconstruída diversas vezes em função de catástrofes naturais no século 17, a Fonte dell’Amenano, a Estátua do Elefante de pedra lávica com seu obelisco.

Voltamos em direção ao Etna e sua visão ao longe é impressionante. Passamos pela Piazza Universitá, a Piazza Bellini e chegamos à Pasticceria Savia, uma agradável lanchonete, onde provamos o Arancino e o Canole, delícias da gastronomia local.

Em frente à Savia está Villa Bellini, um jardim público muito bem cuidado e agradável, onde passamos um bom fim de tarde.

 

4º dia – Taormina

Na manhã seguinte pedimos um táxi no hotel para irmos atá a estação de ônibus, que fica próxima à estação ferroviária central e ali pegamos nosso transporte até Taormina.

Caminhando até centro histórico que é bem perto da parada do ônibus, chegamos ao Teatro Grego ou Antigo, do século III ac! O local é indescritível: um teatro grego muito grande e bem preservado no alto de uma montanha, de onde se avista o mar Jônico com suas águas azul-turquesa, o Etna, Castelmola e outras construções encarapitadas no alto dos morros. Uma visão de tirar o fôlego. Foi emocionante o passeio.

Teatro Antigo de Taormina. Foto: Debora Spinola

Depois fomos dar uma volta pela cidade de Taormina, muito charmosa, cheia de lojinhas de souvenir. Fomos nos perdendo pelas suas vielas até chegar ao jardim público Villa Comunale, à Piazza Duomo e à Piazza IX de Aprille, que se debruça sobre o mar. Não é à toa que a cidade era chamada de “Pérola do Mar Jônico”.

Paramos no Bam Bar para uns drinques, um local muito agradável. Seu dono é muito simpático e nos falou sobre a granita, um tipo de “raspadinha” gelada famosa por ali e do brioche de gelato, outra iguaria siciliana.

Depois de um dia maravilhoso, pegamos novamente o ônibus para Catânia.

Fomos jantar na Trattoria Cavalieri, um típico restaurante siciliano. Boa comida, fartura, bom vinho Nero D’Avola e excelente preço!

 

5º dia – Siracusa

Para Siracusa seguimos o mesmo trâmite: ônibus.

Chegamos a Siracusa e fomos direto para Ortigia, uma preciosidade. A pequena ilha é um charme e lotada de atrações.

Logo na entrada pela ponte que liga a ilha à Siracusa estão as ruínas do Templo de Apolo, do século IV a.C.

Ruínas do Templo de Apolo em Siracusa. Foto: Debora Spinola

Continuamos seguindo pelas ruas da cidade antiga e encontramos a magnífica Piazza Duomo, com a Catedral de Siracusa construída nas ruínas de um templo. É incrível ver as colunas gregas e romanas dentro da igreja mais recente. Na praça está também a Igreja de Santa Lúcia, onde está um outro Caravaggio.

A Piazza Duomo é um capítulo a parte: uma delícia sentar em um dos cafés e tomar um drink admirando a catedral e os palácios no entorno da praça. Ficamos ali muito tempo!!

Piazza Duomo e a Catedral de Siracusa. Foto: Debora Spinola

Fomos andando até o mar com suas cores lindas…o tempo passou rápido demais….

Assim não foi possível visitar o parque arqueológico de Siracusa…. Vai ficar para uma próxima visita!

Voltando para Siracusa, almoçamos no Noccia, um simpático e novo restaurante na Via Malta, entre Ortigia e o terminal rodoviário.

6º dia – Vale dos Templos e Piazza Armerina

Quando precisamos ir a um local mais distante, normalmente contratamos a Viator, parceira do blog. Mas nesta viagem o calendário não nos permitiu, assim fizemos este passeio com outra empresa.

Acabou sendo um passeio privativo, pois éramos só nós dois.

Assim partimos para Agrigento, onde fica o Vale dos Templos e em seguida para Piazza Armerina, onde fica a Villa del Casale.

O ideal é visita-los a partir de Palermo, mas mais uma vez não seria compatível com nossas datas.

Foi um dia incrível! Os templos gregos do século V a.C. estão muito bem preservados e restaurados em um parque arqueológico. A Villa del Casale, restos de um palácio do século IV d.c., tem lindos mosaicos representando a época em que foram construídos e é parte do Patrimônio Mundial da Humanidade.

Vale dos Templos de Agrigento. Foto: Debora Spinola

Depois ainda fomos tomar um café na companhia do nosso guia, Alessio, profundo conhecedor na história da Sicília e da Itália em geral, em Piazza Armerina, uma cidadezinha medieval.

No nosso último dia em Catânia fomos conhecer a Terme della Rotonda, o Teatro Romano, o Mosteiro Beneditino e o Castelo Ursino.

Este último é hoje um museu de arte muito rico, mas já serviu de fortaleza, casa real e prisão desde o século XIII. Somente a sua estrutura externa já vale o passeio, mas sua coleção de arte e arqueologia complementam a visita.

Depois voltamos à Piazza do Duomo para contemplar novamente o conjunto arquitetônico do lugar e tomar um drinque no café de mesmo nome.

Roteiro entre Malta e Sicília
Piazza Duomo em Catania. Foto: Debora Spinola

Do 7º ao 11º dia – Palermo

Fomos de trem de Catânia para Palermo e a viagem de três horas foi ótima, muito prática. Compramos as passagens com antecedência pelo site de trem da Itália, seguindo as dicas da Patrícia.

Da estação central de Palermo ao hotel pegamos um táxi, pois era noite e estávamos com bagagem. Ficamos no Mercure Palermo Centro, mais uma orientação do blog.

Os quartos são enormes, muito confortáveis e bem decorados. O café da manhã muito variado e saboroso. Muito bem localizado.

Jantamos na Trattoria Al Cancelleto d’Aragona, ao lado do hotel, onde fomos muito bem atendidos.

Na manhã seguinte iniciamos nosso tour pela Vila Giulia, um parque ao lado do Orto Bottanico datado do século XVII com esculturas, fontes e muito verde. Ali está a escultura “Genio di Palermo”, ou o gênio de Palermo, alegoria da cidade.

Seguimos em direção ao mar, beirando as muralhas que cercavam a cidade antiga, no chamado Foro Itálico.

Chegamos até a Porta Felice, uma mistura de estilo barroco e renascentista, onde se inicia o Corso Vittorio Emanuele. O Vitorio Emanuelle é a principal artéria da cidade, repleta de palácios, lojas, restaurantes e casario antigo com as roupas penduradas nas sacadas, tão típico da Itália.

Seguimos caminhando por ali e admirando suas particularidades até chegarmos à Piazza Pretória, onde está a Fontana dela Vergogna, um monumento arquitetônico de 1554 construído em Florença e transportado para Palermo em 1574, com suas estátuas renascentistas de mármore representando figuras mitológicas e animais, formando um conjunto no meio de várias igrejas e palácios.

Seguindo pela esquerda, chegamos a uma outra praça onde está a Igreja de Santa Maria dell´Amariglio, a Martorana. A igreja, com sua decoração bizantina, normanda e árabe é de cair o queixo. A mistura dos estilos é magnífica e única. Ficamos muito tempo ali estudando os detalhes munidos de um ipad fornecido na entrada com toda história do local.

Igreja da Martorana em Palermo. Foto: Debora Spinola

Ao lado dela está a antiga igreja de São Cataldo, também interessante.

Seguindo de volta à Corso Vittorio Emanuele, na esquina com a Via Maqueda, nos deparamos com I Quattro Canti, uma esquina em que cada canto tem um edifício com a fachada do mesmo estilo arquitetônico barroco, com diferentes esculturas representando reis, santas e as estações do ano. Chegamos a ficar com torcicolo de
tanto admirar cada uma das construções!!

Mais adiante, seguindo pela Vitório Emanuele, está a Catedral de Palermo, um prédio muito grande com aquela mistura de estilos tão comum na Sicília: árabe-normanda. Como foi reconstruída algumas vezes, tem partes que foram acrescentadas à estrutura inicial, mas que só a fazem única.

Uma das esquinas do Quattro Canti em Palermo. Foto: Debora Spinola

Do alto da catedral se avista a cidade de Palermo.

Continuando, chegamos à Piazza della Vittoria, pois iríamos pegar um ônibus de turismo para ir a Monreale. O ticket para ida e volta com áudio-guide custou 10 euros cada.

Monreale faz parte do roteiro árabe-normando e fica a uns 20 minutos de Palermo. A comuna de Monreale está em uma colina e de lá avistamos a cidade de Palermo e o mar.

A parte interna da catedral é repleta de mosaicos bizantinos, com ilustrações de várias passagens bíblicas. Muito bela e rica.

Na volta, passamos pela Porta Nuova, antigo limite da cidade e saltamos próximo ao Teatro Massimo, grande e luxuoso. A região é bem movimentada e tanto turistas como “palermitanos” passeiam por ali dia e noite.

Nos últimos dois dias fizemos várias vezes os mesmos percursos com calma, sentando em seus charmosos cafés, admirando e absorvendo as belezas da capital da Sicilia.

Fomos ainda na região do Teatro Politeama e Garibaldi, uma ampla e decorada praça onde se inicia a Via Ruggiero Settimo, arborizada repleta de lojas de grife como a Prada, Chanel, entre outras….só para olhar…

Enfim, nossa viagem terminou e trouxemos na bagagem as experiências de uma Itália diferente, muito rica em cultura e arquitetura e a vontade de planejar o próximo passeio. Passamos dias maravilhosos e felizes na Sicília.

 

***

Obrigada, Débora, por ter compartilhado conosco o roteiro da sua viagem! 

 

Veja todos os roteiros pela Sicília já publicados aqui no blog.

 

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4 Mensagens

  1. Obrigada, Patrícia! Suas dicas foram fundamentais para minha viagem e do meu marido, Roberto. Espero retornar à Sicília.

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