Roteiro do leitor: 14 dias na Sicília por Luís Carlos Nunes

Convidei o Luís Carlos, um caro leitor do blog, a compartilhar conosco seu roteiro de 14 dias na Sicília. Ele colocou uma mochila nas costas e percorreu as principais cidades da ilha.

O roteiro do Luís Carlos é ideal para quem gosta de se aventurar, curtir a natureza em total liberdade, aproveitando um dia após o outro mesmo quando há imprevistos. Se você é esse tipo de pessoa, então inspire-se com o relato dele!

Roteiro de 14 dias na Sicília – por Luís Carlos Nunes

Olá, viajantes!
Trago aqui um pouco da minha segunda viagem à Itália como forma de colaboração. Enquanto na primeira viagem fiz o roteiro mais batido (Roma, Vaticano, Firenze, Pisa, San San Gimignano e Napoli e arredores), desta vez, foquei totalmente na Sicília, principalmente, para conhecer vulcões locais.

ETNA: VISTA INTERNA DA CRATERA TORRE DEL FILOSOFO
Uma das crateras do Etna

Viajei sozinho e no esquema mochileiro. Como não tinha (e não tenho) fluência na língua, optei por fazer estudos mais focados em turismo e comprei alguns livros de guia de conversação (Dummies e Folha de São Paulo). Estudei uns cinco meses para a primeira viagem e uns quatro meses para a segunda. Também tinha o tradutor do Google no celular como emergência. Softwares de navegação (Here WeGo, por exemplo) também ajudaram muito a uma maior autonomia (para não ter que ficar pedindo informações). Além disso, procuro sempre fazer uma pesquisa bem profunda sobre o país, incluindo roteiros alternativos para o caso de algum imprevisto. Por fim, a compra de um chip italiano (comprei o da Lyca Mobile, só dados) foi de enorme ajuda, seja para um maior detalhamento de informações dos mapas, seja para consultar horários de ônibus e de atrativos.

Não quero dizer com isso que os italianos não sejam prestativos – em quase todas as vezes que necessitei de informações fui muito bem atendido (até com uma pessoa abandonando o posto de trabalho para me indicar o caminho)-, mas isso me assegurava uma maior tranquilidade na orientação da viagem. Consultei muito o site GOEURO para informações sobre horários, valores e tempos de trajeto para os locais aos quais viajava. Apesar de conter muitas informações, ele não cobre todas as opções de transporte (por exemplo, pode informar que para ir de uma cidade a outra é somente via férrea e, na realidade, haver uma opção melhor de ônibus). Assim, quando possível, confirmar no guichê das empresas (a estação ferroviária pode ser mais distante do local a ser visitado do que o ponto de ônibus, por exemplo).

O período da viagem foi de 02/11/2017 a 18/11/2017, sendo 03/11 a 17/11 o período efetivo na Itália. Fiz a entrada no continente via Madrid e de lá a Roma para finalmente chegar a Catania. É importante dizer que nessa época o dia já começa a escurecer cedo (por volta das 16h30min – 17h) e isso tem que ser considerado no planejamento de viagem (em especial, para trilhas e praias).

Como o hotel em Catania me enviou uma mensagem informando que tiveram um problema com o banheiro do quarto e que minha reserva estava sendo cancelada, tive que conversar bastante com o hotel para ver as alternativas disponíveis (isso tudo em italiano e, por isso, a importância de um tradutor eletrônico). Por fim, a empresa brasileira da reserva (Hoteis.com) ofereceu outras opções de hotéis e consegui resolver o problema sem atrapalhar a viagem.

Toda a hospedagem (cidades de Catania, Palermo, Trapani e Milazzo) foram em instalações que não se pode chamar de hotéis, mas são lugares adaptados/reformados para serviços de hotelaria. Explicando melhor, são apartamentos, quartos ou até mesmo andares em prédios residenciais onde os proprietários reformaram totalmente criando ambientes bem aconchegantes para o recebimento de hóspedes (importante frisar que a reforma não se estende ao edifício, ou seja, os prédios costumam ser bem velhos e deteriorados, contrastando com o apartamento/quarto locado). Enquanto em Napoli, o local tinha uma recepção funcionando no horário comercial e com café da manhã, em toda a minha hospedagem na Sicilia não havia tal recepção (você deve informar o horário que está chegando para que o funcionário/ proprietário vá encontrá-lo; daí, a importância de já estar com um chip italiano ao chegar ao país).

 

B&Bs e pousadas econômicos na Sicília

 

Os apartamentos locados tinham cozinha e isso para mim foi um ponto muito positivo, já que há passeios em que há necessidade de sair muito cedo (seja pela distância, seja pela frequência de ônibus/trens) e não é viável aguardar pelo café da manhã. Outro ponto importante é que você recebe várias chaves (portão, andar e apartamento) e deve mantê-las todo o tempo em seu poder, já que se torna um morador do edifício. Caso tenha algum problema, deve estar ciente que precisará ligar ao funcionário ou proprietário para que ele vá lá resolver (ou mande alguém).

Sobre alimentação, eu fazia as compras de alimentos sempre em supermercados, aproveitando para comprar não só artigos para o café da manhã e jantar, mas também algo para o almoço (um lanche). Como dou preferência a uma refeição vegetariana (em último caso, algo com peixes e frutos do mar), levar algo na mochila me proporcionou um tempo extra para passeios, já que não precisava ficar procurando lugares para me alimentar (opções e valores). Com relação aos preços praticados em supermercados – para os alimentos que comprei -, não achei muita diferença dos preços praticados no Brasil (Centro Oeste). É importante observar que, a menos que o supermercado seja bem grande, ele fechará no horário do almoço e domingos (não posso dizer se o dia todo, já que sempre buscava esses estabelecimentos à tarde, após a volta dos passeios).

Seguindo meu perfil mochileiro, só pegava transportes públicos para grandes distâncias e, apesar do tempo maior gasto de deslocamento, acaba tendo seu lado positivo já que não se precisa ficar procurando o local de venda das passagens dos transportes (a maior partes dos transportes que usei obrigava a compra antecipada da passagem e isso pode ser um empecilho em um final de semana à noite ou no horário de almoço, por exemplo).

Se vai usar ônibus intermunicipal, você ficará responsável por colocar e tirar suas bagagens do bagageiro (e se o motorista não tiver o botão no seu painel para abri-lo/fechá-lo, você também terá que fazê-lo, já que ele não acompanha essa parte). Isso significa ainda que não haverá comprovantes de entrega de bagagem (como no Brasil).
Depois dessas informações iniciais e gerais, vamos ao relato diário.

 

Dia 04/11/2017 – Primeiro dia na Sicília:

Dia usado para a hospedagem, compra de alimentos e encontrar uma loja aberta de telefonia para comprar um chip (empresa Lyca Mobile, € 10,00, só internet, 4 Gb).

 

Dia 05/11 – Taormina:

Ida a Taormina com a empresa Interbus Autolinee. O local de embarque é no terminal Stazione Autolinee, na Via D’Amico, 181. A passagem (ida e volta, que geralmente é mais econômica) foi € 8,30.

Por ser o primeiro domingo do mês, a entrada ao teatro grego foi gratuita (os atrativos costumam ser gratuitos nessa data). O local merece uma visita.

Terminado o passeio ao teatro, resolvi ir à praia (estava bastante calor) e resolvi andar um pouco pela estrada sentido à Catania e logo encontrei um mirante onde se podia avistar a Isola Bella. Ao lado desse mirante havia uma estradinha que levava até próximo à praia e resolvi segui-la. O caminho é muito tranquilo e em pouco tempo já se chega ao destino. Como estava de bota e calça comprida, não atravessei até a Isola Bella (é raso para atravessar, mas as ondas acabam molhando sapato e calça; então, se quiser chegar à Isola, ir preparado para entrar na água). Para voltar à Catania, duas quadras acima da praia, há um ponto de ônibus (atentar para pegar o ônibus direto à Catania porque há um que vai a outra localidade e há necessidade de aguardar outro ônibus).

Isola Bella

Nesse dia, encontrei os supermercados e vários outros estabelecimentos fechados. Portanto, planejar a compra de alimentos para não ser pego desprevenido.

 

Dia 06/11 – Messina e Milazzo

O dia amanhece chuvoso e decido substituir a ida ao Vulcão Etna pela cidade de Messina para conhecer o relógio astronômico. O tempo de viagem de Catania a Messina é de duas horas e por isso, deve-se pegar o transporte cedo, já que o relógio faz os famosos movimentos às 12h. Realmente, vale a visita à cidade só pelo relógio, já que a exibição é longa (uns 10 minutos), com movimentos e sons. Além disso, tudo ocorre em uma praça pública, ou seja, gratuitamente. Após a exibição, consulto o site do Museo Regionale Interdisciplinare para pegar informações e descubro que está fechado (outro ponto a se atentar, já que há atrativos que fecham às segundas). Como estava próximo a Milazzo, decido ir para lá para buscar informações sobre os passeios às ilhas de Vulcano e Stromboli, onde há vulcões para visitação.

Torre do relógio astronômico da Catedral de Messina

O trem foi o transporte usado para o deslocamento e a estação de Milazzo é bem distante (mas, possível de ser feito a pé) do centro, mas há ônibus e táxi disponíveis. Considerando o tempo de viagem de Catania até as ilhas, é recomendável que se hospede em Milazzo e saia no dia seguinte para o passeio. Vulcano é mais próximo e pode ser feita em um bate e volta (indo de Catania a Milazzo no dia anterior e voltando no dia seguinte de Vulcano até Milazzo e pegando o trem para Catania o mesmo dia). Há vários horários para Vulcano, mas Stromboli (local do vulcão ativo) não é possível fazer em um mesmo dia (não por conta própria) devido ao tempo de navegação e a escassez de horários de embarcação. Não cheguei a consultar se havia empresas de turismo operando o passeio a Stromboli em novembro, mas havia propagandas sobre esse roteiro. Além disso, o melhor de Stromboli é à noite, quando o vulcão tem suas cores realçadas pela escuridão.

Mais uma vez, ter um celular com acesso à internet foi crucial para conseguir fazer Vulcano, já que não havia previsto a hospedagem em Milazzo e por isso, tive que buscar hotéis na hora (e falar por Whatsapp com funcionários e proprietários).

Comprei a passagem para Vulcano com antecedência (apesar de não haver necessidade nessa época) no valor de €12,30. Há mais de uma empresa que faz o trajeto, então, é só escolher por preço e melhor horário. Por ter chegado tarde a Milazzo e saído cedo para ir a Vulcano, não fui conhecer a praia local (que era próxima ao hotel) e não posso dizer como é. Acabei usando Milazzo apenas como ponte para a ilha mesmo.

 

Leia mais dicas sobre as Ilhas Eólias

Dia 07/11 – ilha de Vulcano:

A embarcação para Vulcano saiu às 09h e chegou ao destino às 10h. Depois do passeio, conclui que o melhor é ir à ilha mais cedo (07h, por exemplo) por causa do dia escurecer cedo e ter que fazer a viagem de retorno à Catania no mesmo dia.

Para subir à cratera do vulcão, basta sair do porto mantendo a direita e, antes de entrar na vila, observar a placa indicando Vulcano Piano. O caminho até o início da trilha do vulcão é feito em asfalto e todo o caminho da trilha tem indicações. A subida é moderada e levei uns 30 minutos para fazê-la. Importante passar protetor solar e fazer o caminho bem cedo, com o sol menos intenso. Um bom sapato também é recomendado por causa das pedras soltas da trilha. Quando se chega à cratera, há dois caminhos possíveis: um pela direita, que segue pelo lado mais elevado da cratera e outro pela esquerda, que conduz em direção às fumarolas.

Fumarolas no vulcão na ilha de Vulcano.

Optei por subir pela direita e descer pela esquerda, tendo o máximo cuidado com os gases tóxicos e quentes das fumarolas. Caso haja intenção de fazer esse roteiro, para evitar acidentes, não cruzar as fumarolas, mas pegar uma trilha à direita que passa abaixo da borda externa do vulcão e que levará ao caminho para a trilha principal da saída/descida. Achei interessante poder observar as inúmeras fissuras no solo para saída dos gases. A propósito, só senti cheiro forte de gases nesse local e próximo ao porto (creio que por causa do local de banho de lama).

Voltando ao ponto inicial, onde há a placa que indica Vulcano Piano, seguir à direita (sentido praia) para ir até o local do banho de lama e da praia de águas quentes. Sobre essa praia, cheguei a colocar a mão na água para sentir uma temperatura elevada, mas estava fria. Entretanto, como não chequei a temperatura de outras praias, pode ser que a água estivesse bem mais frias em outros locais.

Todos os pontos visitados (os dois citados, além de outras praias) puderam ser feitos a pé. Eu tentei (e não consegui) chegar até ao Vulcanello porque era distante e não queria perder a embarcação de volta.

Uma observação: mesmo se quiser chegar a Stromboli a partir de Vulcano, o trajeto é longo e impossível de se fazer em um bate e volta (poucos horários de embarcação).

A volta para Milazzo fiz com a empresa Liberty, que possui embarcações mais rápidas e mais caras (saída às 16h20min e chegada às 17h10min e custo de € 13,90).

O trem para Catania não é direto e é necessário fazer uma troca em Messina.

Com relação a essas baldeações, sugiro que sempre confirmem se o trem que estão embarcando é aquele mesmo desejado porque já presenciei alterações há poucos minutos do embarque (em outra viagem feita, de Firenze a Pisa, onde acabei pegando um trem errado que parou no horário e plataforma indicados no painel que seria do meu trem e isso me causou uma grande perda de tempo e dinheiro para corrigir o erro).

 

Dia 08/11 – Vulcão Etna:

Apesar do tempo continuar ruim para uma subida ao Etna, tive que fazê-lo pois minha estadia em Catania já estava finalizando e o Etna era o principal motivo da minha viagem. Por sempre estar voltando tarde dos passeios, não consegui fechar com nenhuma agência o passeio e resolvi ir por conta própria (ônibus: € 6,60, ida e volta, com saída do terminal próximo à estação central de Catania; compra da passagem do outro lado da rua). Recomendo a compra da passagem de ida e volta porque pode haver demanda de passagens para a volta por outras pessoas.

O ônibus tem sua parada no estacionamento, bem próximo ao teleférico, agências, banheiros, lojas e bar. Nesse bar, há um vestiário e banheiro (gratuitos) para o caso de não se estar ainda vestido adequadamente para a subida.

Etna

Quando o ônibus chega ao Etna, uma pessoa de uma das agências locais entra para oferecer passeios (há mais de uma por lá), dando as explicações necessárias sobre o local. Como tinha nevado muito na noite anterior, a cratera principal estava fechada (50cm de neve) e só se podia chegar até a Torre del Filosofo.

Fiz toda a subida a pé, já que não havia motivo para pressa (não iria até a cratera principal) e havia muita gente fazendo o mesmo. A subida não é muito puxada e o frio, moderado (estava com luva, composição de três camadas, cachecol, gorro e bota). O uso da bota é importante porque há muitas pedras soltas e trechos com neve, mas vi gente somente com tênis. Depois que se passa o local de desembarque do teleférico (e onde se pegaria um outro transporte para continuar a subida), há a trilha para a Torre del Fisolofo. A subida é mais íngreme que a anterior, mas nada que não se possa fazer com segurança. Nessa cratera há algumas poucas fumarolas e, como havia um guia com um grupo de turistas em seu interior, não perdi a oportunidade e também desci e foi bom porque pude aquecer um pouco nas fumarolas.

Caminho para as crateras do Etna

Depois da Torre, desci até o estacionamento onde há duas outras crateras bem próximas para fotos (não têm fumarolas).

Esse foi um dos possíveis roteiros a se fazer no Etna. Havia opções até de passeios com quadriciclo. Então, ainda que o acesso à cratera principal esteja fechado, compensa fazer a visitação.

Na volta à Catania, resolvi deixar comprada minha passagem para Trapani, que seria meu próximo local de hospedagem, mas fui informado sobre uma futura paralização (greve) dos funcionários da Trenitalia. Importante deixar claro que essa informação não constava em sites de venda de passagens. Então, se a viagem que for fazer for importante (deslocamento até a cidade do aeroporto para pega um voo, por exemplo), aconselho a entrar em contato ou se dirigir ao guichê da Trenitalia para verificar a regularidade do transporte (no meu caso em questão, a greve duraria mais de um dia e, mesmo com a venda liberada, eles não garantiam o serviço; então, acabei pegando uma empresa de ônibus, que não estaria em greve).

 

Dia 09/11 – Siracusa:

Nesse dia fui a Siracusa de ônibus (€ 5,70), mas sugiro o trajeto de trem, já que o ônibus fica dando muitas voltas dentro da cidade até chegar ao ponto final. Fiz um roteiro de visitação ao centro da cidade bem curto e rápido, já que tinha chegado tarde (recomendo ir bem cedo para lá para aproveitar melhor). Chegando ou não cedo, deve-se atentar com o horário porque o castelo fecha às 13h e não abre mais (acabei perdendo a visitação por ter chegado depois do horário). A cidade tem um mar muito bonito e, no verão, alguns pontos para snorkeling incríveis.

Siracusa

Após a visitação ao centro, fui ao teatro grego. Fiz o trajeto também a pé, só que não recomendo (longe e perderá tempo que poderia ser utilizado para visitação desse sítio arqueológico e do Museo Archeologico Paolo Orsi). O ingresso ao sítio é € 10,00 e precisa ir com tempo porque o local é bem grande. Quanto ao museu arqueológico (ingresso € 8,00) é próximo ao parque mas, como estava para fechar quando cheguei e diziam haver muita coisa para conhecer, acabei não entrando.

Teatro grego de Siracusa

Para voltar a Catania de ônibus, não precisa andar até o ponto inicial, já que há um ponto não muito distante do museu arqueológico.

Veja também: Parque Arqueológico Neapolis de Siracusa

Dia 10/11 – Trapani e Erice

Ida a Trapani, próxima cidade de estadia. Tanto faz ir de trem ou ônibus: deverá descer em Palermo e lá pegar um ônibus a Trapani. Então, a escolha fica por conta do horário que se quer chegar lá (com o ônibus, consegui chegar bem mais cedo porque tem mais horários para Palermo).

Como cheguei mais cedo, aproveitei para conhecer Erice, bem próxima a Trapani, apesar da funcionária do hotel dizer que deveria ir no dia seguinte, pela manhã, porque era muito frio para ir à tarde. Há duas opções de transporte: teleférico e ônibus. Como estava hospedado próximo à região portuária, optei pelo ônibus (terminal próximo à estação ferroviária). Apesar dessa opção ser muito mais econômica, há poucos horários. Achei o local parecido com San Gimignano. Na hora de ir embora, fiquei esperando muito tempo até a chegada do próximo ônibus e passei mais frio do que no Etna (por causa da altitude, horário e de estar menos agasalhado).

Erice

Já em Trapani, tive uma grata surpresa: um festiva medieval na rua com músicas e diversos artistas.

 

Dia 11/11 – Segesta:

Ida a Segesta para visitação ao sítio arqueológico. Fiz a viagem de ônibus (€ 6,50, ida e volta, 50 minutos de trajeto, saída do terminal próximo à estação ferroviária, empresa Tarantola). O ponto de desembarque é em frente à entrada do parque. O ingresso é € 6,00 e, se quiser fazer o percurso interno de ônibus, há um próprio do parque (pago à parte). Pedi mapa para saber o que há pelo caminho, já que há atrativos sem indicação.

Fiz a subida a pé e isso me possibilitou fazer uma visitação no meu tempo e com maior detalhamento das ruínas existentes no caminho. Há também pontos para fotos muito bons possíveis somente a pé. Fiz primeiro os pontos à esquerda da portaria e depois, voltando à portaria, fiz o templo que fica à direita. De modo geral, vale muito a visita, já que o templo é belíssimo. Como cheguei às 09h e só teria ônibus às 13h10min, andei muito devagar, parando bastante em cada ponto e também fazendo trilhas secundárias. O tempo da minha visitação foi de 03 horas.

Segesta

Só localizei banheiros na portaria e água, há vários pontos pelo caminho, disponíveis em máquinas de venda.

Enquanto aguardava o ônibus de retorno a Trapani, vi uma placa indicando ônibus saindo daquele parque arqueológico para a Riserva dello Zingaro. Horário: 12h20min e retorno às 15h. O valor é € 5,90 (ida e volta) pela empresa Tarantola. Atenção: o serviço funciona de 15/06 a 15/09.

Tentei fazer o trajeto de Segesta a San Vito Lo Capo de ônibus, mas o motorista informou que teria que voltar a Trapani, o que inviabiliza fazer os dois locais no mesmo dia.

À noite, pude assistir a continuidade das festividades medievais.

Apresentação Medieval em Trapani

Dia 12/11 – Favignana:

Ida à ilha de Favignana. O valor é € 11,10 (ida) e leva 30 minutos. A primeira coisa a se fazer é alugar uma bicicleta, já que fazer tudo caminhando toma muito tempo (15km de trajeto). Paguei € 5,00 por uma urbana com marchas para usar o dia todo. Há vários locais indicando aluguel de bicicletas, então, é só escolher um. Eles retêm o passaporte e fecham para o almoço, por isso, planejar o horário de ir embora. Há também a disponibilização do mapa da ilha, apesar de haver placas indicando a ciclovia do trajeto turístico. Essa rota leva aos principais pontos de um dos lados da ilha. Cheguei a sair da rota e fazer também um pouco do outro lado, mas o caminho já era mais irregular e a bicicleta não apropriada (necessitaria ter alugado uma mountain bike).

Favignana

A ilha é encantadora com uma coloração caribenha de mar e formações rochosas muito interessantes. Para a visitação à Cala Rossa, haverá várias entradas. A primeira, à extrema direita da praia, você praticamente terá que descer um rochedo bem íngreme e expor-se a um risco de queda. Continuando caminhando, novas vias de acesso vão surgindo, sendo que as últimas pode-se descer até empurrando a bicicleta. A cor das águas de Cala Rossa é bem distinta das outras ao redor (você vê de longe essa diferença) tornando-se a mais bela das que visitei. Mas, como muitas outras, a praia é de pedra, sem areia.

Cala Rossa

A volta a Trapani foi mais barata do que a ida (€ 8,60) e novamente, pude assistir a continuidade das apresentações medievais (cada dia era uma atividade diferente, com desfiles e um número maior ou menor de artistas).

 

Dia 13/11 – Palermo:

Ida a Palermo. O ponto do ônibus – caso esteja perto do porto – é próximo à bilheteria da empresa marítima Liberty Lines. Deve-se comprar a passagem antes do embarque em uma loja do outro lado da rua. O valor da passagem é € 8,60.

Como esse dia foi de check-in, só passei pelo centro histórico enquanto caminhava da rodoviária até o apartamento.

 

Dia 14/11 – Cefalù:

Ida a Cefalù. Fiz o trajeto de trem, sentido Messina. A viagem é curta, 30 minutos, no valor de € 5,60.

Logo que cheguei, fui à Rocca. A entrada do local é relativamente próxima à estação ferroviária e pode-se fazer a pé. O ingresso custa € 4,00 e não há disponibilidade de mapas, banheiros, água ou qualquer infraestrutura. Apesar disso, achei que o passeio vale a pena porque há vários mirantes, fortificações, ruínas e fauna e flora para observação. Apesar da subida não ser pesada, há trechos com pedras soltas, áreas escorregadias e outras em que não há escadas e a subida é pela própria disposição das pedras (mas, sempre tranquilo, sem uso das mãos), por isso, dar preferência ao uso de um sapato. Gastei 02h no passeio, andando devagar e vendo tudo com calma.

Praia pública de Cefalù fora do centro

De um dos mirantes da Rocca, pude observar uma área à direita da marina bem bonita e resolvi explorá-la (para chegar à área vista – a mais bela -, tem que andar bastante). A marina está à direita da cidade e pode ser alcançada por uma estrada (você anda um trecho curto nela e já acessa uma via paralela). Passando por uma empresa de pescados, você sobe por um caminho que levará até uns hotéis e residências de alto nível. Continuando a caminhada, chegará ao portão de uma propriedade particular, onde não se pode passar; então, haverá uma rua à direita que levará até uma via paralela à linha do trem. Acompanhar essa rua e verá uma placa apontando “praia liberada”.

Descer uma escadaria até chegar à praia (é meio complicado mesmo). Esse é o ponto mais próximo para se alcançar a formação rochosa e, chegando lá com a maré baixa, à esquerda, pode-se contornar um paredão e andar pelo local (eu não consegui fazê-lo porque a maré estava alta).

 

Dia 15/11 – Agrigento:

Ida a Agrigento de trem (€ 9,00) para visitação ao Valle dei Templi. O ingresso ao Valle custa € 10,00 e pode-se fazer uma espécie de combo, incluindo o ingresso ao museu arqueológico a um preço total bem menor. O museu é próximo ao Valle (um quilômetro) e pode ir a pé. Como queria conhecer a Scala dei Turchi e fazer o Valle com bastante calma, não fui ao museu. O trajeto da estação ferroviária até o Valle também fiz a pé. O caminho não é longo e o único ponto mais complicado é uns poucos metros em que se tem que andar por uma rodovia sem acostamento.

O Valle é bem grande e tem muita coisa para se ver. Gastei quatro horas para fazer a visitação.

Templo da Concórdia no Vale dos Templos de Agrigento

Quando estava voltando para a estação ferroviária, vi uma placa indicando Scala dei Turchi. Eu já tinha tomado chuva no Valle e abandonado a ideia de conhecer Scala, mas a placa reacendeu a vontade de ir para aqueles lados e fui até o ponto de ônibus. O ônibus não passa perto da praia; você desce na rodovia e tem que ir caminhando até lá (não é longe). Quando chega à praia, você segue por ela até a Scala. Porém, quando cheguei à praia, o tempo começou a fechar; ainda assim, resolvi insistir em avançar, já que nem conseguia ainda ver as formações rochosas, mas um temporal abortou a tentativa e voltei ao ponto de ônibus (atenção: o ponto para voltar a Agrigento é exatamente o mesmo que se desce para ir à praia).

Leia também: Scala dei Turchi: falésias brancas e um infinito mar azul

Dia 16/11 – Castelbuono:

Ida a Castelbuono de trem. Atenção: apesar de haver um trem de Palermo a Castelbuono, a estação é muito distante do centro da cidade. Assim, deve-se pegar um trem até Cefalù e depois, um ônibus até Castelbuono (o ônibus tem seu ponto em frente à estação de Cefalù e a passagem é comprada em um bar que há ali dentro). Horários: para Castelbuono (40 minutos de trajeto, empresa SAIS): 7h45min, 11h, 13h30min, 14h10min, 15h25min, 17h30min, 19h30min. De Castelbuono: 5h40min, 7h05min, 8h45mi, 13h30min, 14h30min, 16h30min.

Na minha opinião, Castelbuono não compensa ir, já que se gasta um dia todo (considerando a partida de Palermo e com transportes públicos) e não tem atrativos que compensem a visita. Na época em que fui, novembro, apenas havia uma loja vendendo panetone e era uma embalagem de 500gr (grande demais para transportar para o Brasil em uma mochila cargueira).

 

Dia 17/11 – Último dia na Sicília:

Último dia em Palermo. Há um ônibus da empresa Prestia e Comandè que faz o trajeto até o aeroporto. O ponto da Praça do teatro Politeama foi o mais próximo para mim na Via Dante, esquina com Via della Libertà, em frente à loja Prada. Horários: 4:10, 4:40, 5:10, 5:40, 6:10, 6:40… há uma boa frequência. Tempo de trajeto é de 40 minutos.

Apesar de um aviso indicando a necessidade de compra antecipada de passagem em outro local, o motorista me disse que haveria um funcionário da empresa no local (peguei o ônibus às 05h10min e ele já estava lá).

Bem, esse foi um pouco do que vivi nessa minha segunda viagem à Itália. O país é muito diversificado em sua cultura e geologia e sempre revela surpresas a cada roteiro.

***

Que ótimas dicas as do Luís, não é mesmo?

Quer ter o seu roteiro publicado aqui no blog? Entre em contato comigo (clique AQUI) e eu lhe explicarei como fazer para que o seu relato apareça aqui no Descobrindo a Sicília!

Veja os outros roteiros dos leitores publicados.

Assine nossa newsletter mensal e receba dicas da Sicília no seu e-mail!

Veja Também

Roteiro entre Malta e Sicília: a viagem de 11 dias de Débora

Compartilhe!FacebookTwitterGoogle+PinterestemailPrintUm roteiro entre Malta e Sicília é algo que muitos leitores aqui do blog fazem …

Comente!