Roteiro Sicilia

Roteiro de 9 dias na Sicília – Por Ludmilla Magro

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O roteiro da vez é bem diferente dos outros que já publiquei aqui. Ludmilla, uma leitora com quem troquei mensagens por vários meses, organizou sua viagem de modo que pudesse aproveitar ao máximo o verão siciliano. Ela esteve aqui entre fim de junho e início de julho e sempre deixou claro que sua viagem seria baseada em praias, festas e curtição.

Ludmilla viajou sozinha durante metade da viagem, saboreou diversos pratos da culinária siciliana, utilizou somente transporte público e táxi. Além disso, ela ainda dá ótimas dicas do que fazer na night de Catânia e Palermo!

Roteiro Sicília – A viagem de nove dias de Ludmilla

Roteiro Sicilia
Ludmilla em Mondello, Palermo. Foto: Ludmilla Magro

Dia 1 – Catânia

Após sair dia 26/06 de Brasília pela Air France com conexões em Paris e Roma, dia 27, um sábado, chego em Catânia aproximadamente às 19h30. Ainda havia sol e no último voo da Alitalia pude observar o azul dos sonhos do Mar Mediterrâneo e o grande Etna, tudo devidamente apresentado por um casal residente da cidade muito simpático e que gosta muito do Brasil.

Um amigo siciliano, habitante de Caltanissetta (interior da Sicília), me aguardava no aeroporto. Assim, não tive dificuldades para ir do aeroporto ao Ostello Degli Elefanti, localizado no centro. Havia reservado quarto misto (coisa que não tenho costume, mas quis experimentar nessa 1ª ida a Europa) e fui muito bem recepcionada. O hostel fica bem entre à Piazza Duomo, onde está a catedral e o Fontana dell’Elefante, a estátua do elefante símbolo da cidade, e à Piazza Università, onde há a universidade. Ele ainda conta com um terraço onde se pode ver todo o centro de cima e o Etna ao fundo. Um convite a belos goles de vinhos e drinks para o verão siciliano.

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Foto: Ludmilla Magro

Após me acomodar, fui conhecer a night. Fomos ao Razmataz Wine Bar, onde pude tomar um excelente vinho branco acompanhada dos demais amigos do meu amigo. De antipasto pude experimentar a verdadeira mortadela italiana, cortada finiiiiinha, e de prato experimentei Sarde Beccafico (recomendado aqui pelo blog, tipo uma sardinha ao forno recheada com alguma coisa que não consegui identificar, mas é bom).

Aproveitando o ritmo da noite, andamos à Piazza Vicenzo Bellini, onde há uma área cheia de bares com drinks por até 6 euros e long necks a 2 ou 3 euros. O local estava cheio de jovens, estudantes e turistas, aproveitando a noite de calor com bons aperitivos e conversa animada.

 

Dia 2 – Catânia

Passei a manhã dormindo (o fuso me pegou) e a tarde meu amigo e eu fomos a um dos espaços privados na praia da Viale Presidente Kennedy. Esses espaços privados, como já foi apresentado aqui no blog, é chamado de “lido” e pude conhecer o Lido Le Piramidi. Nele há um restaurante, piscina, banheiros, quadras de vôlei ou qualquer outro esporte de areia, cadeiras e sombrinhas (que pelo que entendi são reservadas e se esgotam antes do Verão começar), bar e dj tocando o som. Muita gente bonita. Não sei informar quanto foi para entrar, pois meu amigo que pagou.

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Foto: Ludmilla Magro

Foi meu primeiro contato com o Mar Mediterrâneo com a presença do Etna ao fundo. Dia agradável de sol que ainda teve a surpresa de haver chuva, coisa que me falaram não ser comum no período. Serviu só pra refrescar, em nada atrapalhou, apesar de muitos irem embora por causa dela. Ainda pude ver as vestes dos italianos na praia. Os homens usam sungas, muitas vezes bem coloridas e cavadas, e as mulheres biquínis, para nós, grandes. Isso não me impediu de usar durante toda a viagem biquíni fio dental, não tive problemas.

No final da tarde fomos comer na Pasticceria Savia. Um show de gordice! Vi a famosa arancina e os doces, muitos doces! Acabei experimentando uma arancina de pistache e uma cassata doce com ricota (gente, ricota lá é muito doce). Pegamos as guloseimas e andamos ao Giardino Bellini, que fica bem em frente. Um espaço verde bem bonito que tem um jardim que é podado pra mostrar o dia e o mês.

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Foto: Ludmilla Magro

À noite não fiquei no hostel, fui para um outro hotel chamado 4 Spa Resort Hotel, longe do centro, mas com vista para o mar. Por causa do fuso, no início da madrugada tive fome de novo e fomos à um dos tantos trailers de panini que você pode encontrar pela Sicília. Lembra trailer de sanduiche mesmo, que você escolhe os ingredientes que coloca dentro. Decidi experimentar a carne de cavalo, muito popular lá. Achei uma delícia! Comeria todos os dias! Muito bom! A surpresa maior é que dentro do sanduiche você pode colocar de tudo, desde a tradicional saladinha a kani, bolinho de peixe, sardinha frita, vários tipos de cogumelos e batata frita. Mas pensa nisso tudo muito? Pois é, assim, pura engordância.

 

Dia 3 – Taormina

Partimos de carro de Catânia para Taormina pela SS114 e seguimos para a Via Antonello de Messina almoçar no Marè La Putia Sul Mare. É bem de frente para o mar, local tranquilo e com música ambiente que toca até bossa nova. Um dos sócios estava presente e é conhecido do meu amigo. Lá pedimos pratos bem leves acompanhados por um vinho rosé siciliano. De comida, foram pratos variados, mas o que surpreendeu foi um bolinho feito de peixinhos minúsculos e o camarão cru. Foi a primeira vez que comi camarão cru! Joguei um limãozinho pra dar uma aliviada e detalhe que ele veio sem aquele cocozinho (então não vai comendo camarão cru em qualquer lugar não hein!). Não foi das melhores coisas da refeição, mas tá valendo pra experimentação.

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Foto: Ludmilla Magro

De lá, ainda demos uma passadinha para fotos diante das formações rochosas no mar chamadas Isole dei Ciclopi, uma beleza natural saindo do mar azul. De lá pegamos a estrada a Taormina, que é bem próxima. Antes dela está Giardini Naxos, bem na costa. Numa parada que meu amigo precisou fazer, andei até a praia e foi o meu primeiro contato com uma praia onde não há areia, mas pedras. Pedras que parecem polidas, redondinhas, lisas, até pra dentro da água. Para mim, muito diferente.

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Finalmente chegamos em Taormina. Logo no caminho paramos em um mirante onde se pode tirar fotos do mar, de Isola Bella lá em baixo (super planejada a ida no dia seguinte) e Giardini Naxos com o Etna ao fundo. Uma beleza!

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Foto: Ludmilla Magro

Nos hospedamos no Hostel Taormina, no centro da cidade, onde há quarto compartilhado separado por masculino e feminino e um quarto de casal. Passando pelos quartos compartilhados há um terraço onde se pode ver parte do centro. É um hostel bem pequeno e simples, mas com ótima localização, perto da área turista principal, a poucos minutos do funicular que leva à parte baixa da cidade (onde ficam as praias) e do terminal de ônibus. Para estacionar é difícil, como em muitas cidades da região, pelo que percebi. Meu amigo foi estacionar em um parcheggio que nem sei onde fica, mas não era muito perto. Após nos acomodarmos, andamos pelo Corso Umberto, que é bem próximo e é a via turística com lojas, restaurantes e igrejas, além de um mirante lindo para o mar e para a lua, que estava quase cheia naquela noite.

Jantamos no RISTOPUB “TUTTI CCA'”, bem no caminho do hostel para o corso. Ele é bem intimista, com luz de velas, cadeirinhas no caminho das escadas, um charme. O garçom muito simpático. Pedimos o prato e vinho da casa, nem quis saber o que era. Ele ainda explicou, mas como não entendi nada e topava tudo, concordei. O vinho veio em jarra sem rótulo, alguns pãezinhos com gergelim e o prato….. que delícia! Macarrão com frutos do mar! Nhaaaaammmmm! E com o vinho foi espetáculo! Entrou na lista do “vai lá que é bão”!

Como era véspera do meu aniversário e meu amigo havia comprado uns espumantes, sugeri tomarmos no corso até dar meia-noite. Ele insistiu para voltarmos ao hostel e acabamos retornando. Lá tive a surpresa de ter o espumante acompanhado por um belo bolo com vela e escrito em chocolate sobre uma cobertura verde pistache “molti auguri Ludmila”. Emoção eterna!!! Ele e a recepcionista do hostel haviam escondido de mim e tive meu “parabéns pra você” em italiano mais lindo da vida!

 

Dia 4 – Taormina e Etna

Acordar no dia do seu aniver na Itália: que gostinho bom! Aproveitando o belo dia de sol e céu aberto, fui à praia de Isola Bella (que tanto desejei). A partir desse momento minha viagem seguiu solo, pois meu amigo precisava partir. Com muito amor no coração e desejo de descobertas, desci as escadas para a praia com uma ansiedade de criança. Ao chegar, parei uns minutos e fiquei olhando a praia com o mar azul como nas fotos que havia visto, pedras até a água maiores que as de Giardini Naxos e a Isola Bella com todo o verde no meio. Andei até ela com minhas Havaianas com certa dificuldade, mas melhor do que descalça. Há um sapatinho de borracha que algumas pessoas usam e na escadaria até vendem, mas segui a dica do blog que de Havaianas dava pra ir.

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Foto: Ludmilla Magro

Você pode explorar a ilha, fazer passeios de barco, mas preferi sentar no Lido Mendolia Beach que fica bem à margem da água (10 euros). Este lido conta com segurança, cadeira com sombrinha, restaurante/bar e wi-fi. Passei uma boa manhã com o pé na água e aproveitei para catar umas pedras para decorarem minha casa. Agora na hora de embora pode preparar as pernas porque tem q subir muitas escadas.

Após o lido, peguei o funicular, que ficava próximo, para ir a parte alta e em seguida ir ao terminal de ônibus. Antes almocei no restaurante Bella Blu. O local tem uma vista maravilhosa do mar e o garçom foi muito atencioso, até tentou falar em português ao saber que sou do Brasil. Ele inclusive fala várias línguas. Lá comi macarrão com frutos do mar (viciei) com uma taça generosa de vinho da casa. Precisava comer bem uma vez que a aventura do dia estava pra vir logo mais: ir ver o pôr-do-sol do cume do vulcão Etna!

funicular

Após o agradável almoço me dirigi ao terminal, local de onde partiria a excursão. Inclusive esta excursão comprei por indicação do blog no site Viator. No local já havia várias pessoas e eu já havia trocado minha veste praia para a de escaladora de vulcões. Em ônibus muito confortável e com guia atencioso embarcamos rumo a esta nova aventura. Havia pessoas de várias nacionalidades e com grande expectativa do que estava por vir.

Resumindo o que foi o passeio, vale muito a pena! Chegamos a um ponto do Etna onde já se vê a destruição da grande erupção de 2012, o caminho da lava e seus restos petrificados. Nesse ponto trocamos para um grande transporte 4×4 para chegarmos a mais de 3200 metros de altura! O Etna tem quase 3500, mas devido a uma alteração magnética, eu acho, não foi permitido ir até o cume, pois em caso de alteração não haveria tempo de evacuação… ok né?! Já pelo caminho é possível avistar todas as cidades ao redor do vulcão, o mar e até Isole Eolie (passeio do dia seguinte). No ponto alto do passeio é possível ver o vulcão ainda com fumacinha lá em cima, no caminho há até neve em pleno verão, um vento muuuuuuito gelado (agasalhos pesados altamente recomendados. Ainda bem q li a dica aqui antes de ir porque muitos passaram aperto) e um pôr-do-sol único. Ao saberem que era meu aniversário, os outros turistas cantaram “parabéns pra você” em inglês quando estávamos lá em cima. Muito muito emocionante!

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Foto: Ludmilla Magro
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Foto: Ludmilla Magro

No caminho de volta a excursão parou em um restaurante, mas fui vencida mais pelo cansaço (e pelo fuso) e no local encostei em um sofá para dormir. A excursão havia saído às 15h30, chegamos ao terminal já era mais de meia-noite.

 

Dia 5 – Taormina e Ilhas Eólias (Lipari e Vulcano)

Acordei bem cedo para mais uma excursão que adquiri pelo blog no Viator: passeio às ilhas Lipari e Vulcano, duas das 7 ilhas que fazem parte de Isole Eolie. Saímos cedo do terminal de Taormina em direção a Milazzo, onde embarcaríamos em um barco equipado para as ilhas. Um passeio no mar azul relaxante, com a possibilidade de tomar um drink ou uma cerveja gelada no barzinho do próprio barco.

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Foto: Ludmilla Magro

Primeiro paramos em Lipari. Basicamente é uma ilha que tem construções antigas, restaurantes, cantinhos com atelier e artesanato. Fofo, mas o que eu queria mesmo era praia. Antes de reembarcar, aproveitei para almoçar em um restaurante bem em frente ao local de parada dos barcos: Al Pescatore. Nele experimentei uma saladinha siciliana, um vinho da casa e uma lula inteira com uma cobertura de legumes, algo bem gostoso mesmo e, para o dia quente que fazia, bem leve.

Em seguida embarcamos para Vulcano. Logo ao desembarcar já podemos sentir um cheiro bem desagradável. Parece que abriram o esgoto do mundo! Isso na verdade é andando para uma das praias que é mais perto de onde desembarcamos. Quanto mais perto, pior o cheiro. Chegando lá nos deparamos com pessoas cobertas com uma lama cinza/esbranquiçada que tem ao lado da praia e que exala esse forte cheiro. Pessoas se cobrem com essa lama com a finalidade de ser bom pra pele e outras coisas mais. Depois que me disseram que a pessoa fica com o cheiro no corpo durante 2 dias desanimei da experiência e segui para a praia convencional, onde já é possível ver a água borbulhando em alguns pontos. Inclusive cheguei perto de uma das grandes borbulhas e me espantei ao colocar o pé no fundo e estar muito quente (fica o aviso).

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Foto: Ludmilla Magro

Na excursão havia 2 australianos e acabei me aproximando deles nesse passeio e fui convidada a acompanhá-los. Fomos então à outra praia, onde a areia é preta: Baia Negra. Lá nos sentamos em um pequeno lido e tomamos uns drinks aproveitando o sol quente. Nesse ponto é possível tirar fotos com o vulcão bem atrás de você. Para nós, surreal.

No retorno descobri que os australianos estavam em um hotel próximo ao meu e que eles ainda não havia conhecido Taormina. Acabei sendo o guia deles naquela noite pelo Corso Umberto. Fomos muito bem atendidos em nosso jantar farto de vinho e pratos sicilianos generosos no A’ Zammara com vista para o mar e a lua cheia. Continuando a diversão, passamos rápido no Timoleone Café, numa escadaria que se encontra no caminho para o Teatro Grego, e fumamos um narguilé com uma caipirinha que ganhei de presente do local por ter feito aniver dia anterior. De lá decidimos nos divertir na pista de dança do La Giara, que também conta com restaurante no segundo andar. Já havíamos passado antes para conhecer, então o gerente já sabia quem éramos e nos colocou de graça. Logo ao chegar o DJ colocou uma música brasileira e ganhei vários drinks. Uma comemoração muito divertida que marcou com alegria a viagem.

Discoteca em Taormina
Foto: Ludmilla Magro

 

Dia 6 – Palermo

Acordei mais tarde do que queria no dia, mas continuei com minha programação de ida a Palermo. Despertei o corpo com uma granita de mandorla (parece uma raspadinha de gelo com sabor, no caso, de amêndoa) de 4 euros no Licchio’s Bar no Corso Umberto. Muito gostoso, virei fã! Em seguida segui para o terminal.

Já havia lido que não há ônibus de Taormina para Palermo, então segui o sugerido de ir a Messina de ônibus (3 euros) e lá pegar outro ônibus para a capital da Sicília. A ida de ônibus a Messina deu certo, mas eu teria que esperar 4hs pra pegar o outro ônibus. Resultado, ia chegar muito tarde e nem aproveitar aquele dia. Os ônibus em Messina desembarcam perto da estação de trem, então me arrisquei dar uma olhada. Havia sim um trem para Palermo e saía em 5min! A fila estava grande para comprar o bilhete, mas há maquinas de compra rápida que você insere o dinheiro, escolhe o destino e pronto. Usei e em 2min estava com o bilhete na mão, correndo de mala e cuia para a plataforma de embarque.

Bom, deu tudo certo. Seriam 4hs de viagem. Ao mesmo tempo que senti que havia perdido o dia, descobri um caminho maravilhoso: o trem passa por toda a costa norte da Sicília, uma visão linda do mar, das praias e das propriedades rurais. Algo que seria ruim acabou sendo muito bom. Ao chegar à estação central de Palermo, descobri com um taxista que o Mamamia Hostel & Guesthouse, onde me hospedaria, era bem perto, então fui andando. Chegando lá, fui muito bem recebida e ganhei um upgrade na minha estadia por feito aniver 2 dias antes. Havia reservado quarto misto, mas como havia quartos de casal vagos eles me cederam um sem mudar o valor. Presentão mesmo poder finalmente ter um quarto só pra mim.

Após me passarem algumas sugestões de onde comer dei uma passada em Vucciria, um local bem próximo do hostel, que durante o dia é mercado e a noite parece uma “Lapinha”, com universitários e intelectuais bebendo cervejas e drinks e comendo panini em altas conversas.

Não fiquei lá, pois estava com o corpo cansado, então fui jantar em um restaurante também perto chamado Ferro Di Cavallo. Estava bem cheio, tive que esperar mesa, mas não demorou muito. Tive a oportunidade de ver uma manifestação cultural bem alegre numa mesa grande de jovens com música, violão e flauta, lembrando um ritmo meio medieval misturado com cigano.

Para comer, decidi pedir de antipasto de melanzana (tipo uma berinjela, mas é redonda), de primeiro prato Pasta a la Norma (que é massa com berinjela) e um peixe fresco do dia junto com um vinho branco da casa. Posso dizer que comi pelo resto da viagem em uma noite! Não façam como eu, o primeiro prato já é mais que suficiente. E olha que sou de comer bem, tá? Lá encontrei o meu limite. Nesse jantar gastei 20 euros. Foi até então o mais caro que havia pagado, e não achei caro, pois veio comida pra 3 de mim.

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Dia 7 – Palermo

Pela manhã decidi explorar o centro e conhecer os mercados. Passei em várias igrejas que não sei o nome e na Catedral. Achei elas bem diferentes em relação as que vi nas outras cidades. São mais escuras por dentro e os detalhes das pinturas e da arte em madeira bem expressivas, dando um efeito de movimento e profundidade.

Fui ao mercado Vucciria, que naquela hora era mercado mesmo, e aproveitei para comprar umas iguarias para um amigo que estuda gastronomia. Em seguida segui para o Mercato di Capo, que é beeeeem extenso, tem de tudo, até gente gritando pra conseguir cliente como no Brasil. Vi uma cena muito de filme: uma senhora em um dos prédios ao redor do mercado gritando pra falar com outra senhora que estava a 2 andares acima. Parecia briga, mas nem era, lá é desse jeito, bem humano! Foi uma delícia sentir o aroma dos pêssegos e experimentar cerejas carnudas e de cor quase vinho de tão vermelhas. Antes de retornar ao hostel segui mais uma dica do blog e fui almoçar na Antica Focacceria S. Francesco. Não encontrei grande movimento, apenas uma fila de turistas que falavam uma língua que parece de outro planeta. Decidi experimentar, além do vinho branco da casa (sempre), schiticchio ballarò (um mix de salgadinhos como arancina, mas menores), sarde a beccafico (esqueci que já havia comido, pedi sem querer! É a sardinha recheada) e o tão curioso pani ca’ meusa (um sanduba de baço de boi com queijo). Claaaro que não aguentei comer tudo, mas foi curioso o sanduiche. Confesso que esperava que fosse mais forte, já que sou acostumada a comer sarapatel. Não chega a ser tão forte, mas depois da metade do sanduiche o sabor começou a me enjoar e parei.

Roteiro Sicilia
Foto: Ludmilla Magro
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Foto: Ludmilla Magro

Passei no hostel e troquei de roupa para seguir até a praia de Mondello. No hostel sugeriram pegar o ônibus e comprar a passagem numa tabacaria próxima. Comprei para ida e para volta e acho que cada uma saiu por 2,50 euros. Ao chegar no ponto indicado, o ônibus logo chegou. LOTAAAAAAAADO! Vi as pessoas entrando por todas as portas e como não sabia como funcionava entrei também. No ônibus fazia muito calor, o sol estava generoso. Ao chegar, várias pessoas desceram no mesmo ponto que eu, bem em frente à praia. E o bilhete de ônibus que comprei? Ficou comigo! Não usei no ônibus e ninguém lá também usou. Entendi nada ainda, mas… bora pra praia!

E que praia… a transparência da água encanta, ao fundo um azul turquesa, a areia cheia de gente, algumas mulheres fazendo topless e muita criança. Isso era sexta à tarde! Numa certa altura da praia decidi estender a canga e dar um mergulho. Que delícia a água! Que visual!

Roteiro Sicilia
Foto: Ludmilla Magro

No final da praia há uns quiosques e lá tive a oportunidade de experimentar sanduiches inusitados (o de baço na Foccacceria foi só o começo): ’U pani chi Panelli e cazzilli, que mais parece um pão de hambúrguer com salgadinhos fritos dentro; e brioche con gelato, que se trata de um pão de hambúrguer doce com 2 bolas de sorvete dentro, com um biscoito fininho e grande pra enfeitar. Não sabia como comer, então, pro primeiro observei um casal: se come como um sanduiche normal. Pensei: que tipo de casal vem num dia de sol comer esse tanto de gordura na praia?! Bom, o segundo perguntei ao vendedor e me disse que se come com a colherzinha normalmente. Comi primeiro o sorvete (peguei pistache e baunilha e achei maravilhoso, e nem gosto de doces) e tentei comer o pão no final, mas me deu nojinho do pão babento de sorvete derretido.

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Foto: Ludmilla Magro
Roteiro Sicilia
Foto: Ludmilla Magro

À noite dei uma andada pelo centro e resolvi parar em Vucciria. Estava bem mais cheio que o dia anterior. Entrei em uma taberna para comprar uma cerveja que custou 1 euro. Lá dentro comecei a conversar com uns universitários e viramos companheiros da night. Chegamos a ir juntos a Mondello procurar uma festa, que naquela noite não havia, mas fizemos a festa pela rua margem à praia. Voltamos ao centro para comer e muitas conversas. Pessoas bem animadas, excelente noite!

 

Dia 8 – Realmonte

Ao acordar fui para a estação central de Palermo e peguei um trem (8,30 euros) para Agrigento. Mais um passeio agradável e tranquilo de 2hs. Em Agrigento peguei um taxi (30 euros) para o B&B Mammaliturchi Scala Dei Turchi em Realmonte. No caminho, o taxi passou bem perto ao Valle dei Templi, onde há as ruínas de templos gregos já comentadas várias vezes no blog. Como não era o meu objetivo de passeio, o taxi parou em um bom ponto para eu tirar uma foto e observar o local.

Chegando no B&B me apaixonei. Com estilo simples e arrumadinho, fui recebida pelo proprietário Cicco, pessoa simpaticíssima que recebe a todos com um sorriso e sempre disposto a servir bem quem chega. O B&B fica bem na praia, basta abrir o portão e você já está com pé na areia. A parte de convivência é aberta para o céu e o mar e lá que acontecem as confraternizações e as refeições. Reservei um quarto individual, que era uma pequena suíte com cama de solteiro, armário, banheiro, ar condicionado e decoração seguindo o estilo praia.

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B&B Mammaliturchi em Realmente – Foto: Ludmilla Magro

Coloquei o biquíni e fui andando ao objetivo da viagem: conhecer Scala dei Turchi, falésias brancas rodeadas por um mar de azul encantador. O B&B fica realmente muito perto, foi o que esperava quando o reservei.

Ao avistar Scala dei Turchi fiquei muito emocionada, era um lugar que sonhava e agora estava ali, pisando no local. Foi uma vitória pessoal chegar até ali. Enquanto explorava a área, conheci 2 italianos de Palermo que também estavam no local pela primeira vez. Acabamos fazendo companhia uns aos outros admirando aquela beleza natural. Aproveitei também para nadar saltando da falésia. Sensacionaaaal! A água estava quentinha!! Fiquei muito tempo aproveitando aquele privilégio! Mas um aviso importante: ao retornar à falésia molhado o chão vira um sabão! Isso porque há uma camada de pozinho bem fininho sobre ela e com a água é tombo certo, por isso é preciso ter muuuuito cuidado.

Scala dei Turchi

Roteiro SIcilia
Foto: Ludmilla Magro

O sol foi descendo e me afastei dos meus novos amigos italianos para contemplar sozinha o pôr-do-sol na arquibancada natural de Scala. Pura paz e agradecimento por chegar até ali bem e com muita alegria pra levar onde for.

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Foto: Ludmilla Magro

Depois desse espetáculo natural, ao retornar ao B&B tive a surpresa de uma “vera” janta siciliana sendo preparada aos hóspedes. Pode imaginar a fartura e a farra! Já cheguei da praia recebendo uma taça de espumante, uns belisquetes antes de uma macarronada com frutos do mar de-li-ci-o-sa como primeiro prato que já alimentava pra vida… mas ainda teve peixe na grelha: dorata e postas de peixe espada. E muito, muito vinho top! E pra finalizar uma torta de pistache, lógico! O banquete custou 30 euros, mas foram muito bem aproveitados. Sobretudo pela maravilhosa cia da lua cheia surgindo sobre o mar, uma lua vermelha hipnotizante.

 

Dia 9 – Catânia

Acordei e me arrumei a mala com calma para minha última locomoção, para Catânia. Muito gentilmente Cicco me levou de carro a Porto Empedocle, onde pegaria o ônibus (15,20 euros). O ônibus estava lá na hora e foi cortando o interior da Sicília, passando por Agrigento, Caltanissetta e Enna até chegar a Catânia. Única coisa que me incomodou foi o motorista ouvir rádio meio alto a viagem toda. Não consegui curtir a vista num silêncio.

Desci do ônibus no aeroporto de Catânia e lá peguei um taxi ao Villaggio Turistico Internazionale La Plaja. Reservei um bangalô, que se trata de uma casinha com suíte, cozinha, ar condicionado. É bem na praia, mas esperava que fosse um lugar de festa. O quarto cheirava a cigarro e à noite faltou água quente.

Pela internet encontrei uma festa na praia no Le Capannine, um dos tantos lidos na orla de Catânia. Decidi ir andando pela praia. E como andei! Pensei que era bem mais perto. Mas valeu a pena! Ao chegar tinha DJ, muita gente bonita e animação na praia com um belo sol. Comprei uns drinks, conversei com algumas pessoas da festa e me senti bem à vontade naquele clima de festa que foi até umas 17h.

Roteiro Sicilia

Pensar em voltar andando ao local onde estava hospedada me desanimou muito, então fui até a via para pegar um taxi. No caminho uma pessoa de moto encostou e perguntou se eu era brasileira. Falei que sim. Logo a pessoa se identificou: um baiano que mora há 10 anos em Catânia, animador nos lidos, joga capoeira e me identificou pelo jeito de andar. Em mais um momento de gentileza nessa viagem, ele me deu carona até o Villagio. E eu tenho pavor de moto! Mais uma aventura de viagem!

À noite fui dar uma última volta no centro de Catânia. Interessante voltar lá onde tudo começou e ver com outros olhos aquele lugar. Aproveitei para jantar no Osteria Ristorante Pizzeria Antica Sicilia e comi mexilhões ao vapor com vinho branco da casa. Durante a janta um vendedor de rua carregava consigo um derbake enquanto vendia colares e pulseiras. Pedi para ele tocar pra eu dançar, ele disse que não sabia. Um garçom então pegou e tocou! Foi divertido demais!! Como danço a dança do ventre, aproveitei e todos ali se divertiram. Acho que essa alegria, simpatia e gentileza que me cativaram em todos os lugares que fui na Sicília. Uma alegria sincera!

Em seguida segui para um dos barzinhos na Piazza Vicenzo Bellini e lá conversei com gente da China que estava lá aprendendo italiano, com um grupo de universitários etc. Uma interação que flui e eu adoro! Ainda ganhei uma carona ao Villagio e estava tão embriagada de alegria que dormi com a roupa que estava!

 

Dia 10 – Hora de dizer “CIAO!”

Acordei e o sol estava chamando pra praia. Estava cansada da noite anterior e precisava terminar de arrumar a mala, mas não resisti e dei um último mergulho no Mar Mediterrâneo. Última limpeza da alma antes de pegar um dos tantos voos de volta para Brasília.

Quando fiz o check-in na máquina só me vieram os piores lugares para sentar, mas alguém lá em cima teve piedade de mim e em todos os voos vim pela janela, inclusive no voo partindo de Catânia, fileira A, por onde pude me despedir daquele mar e do Etna com lágrima nos olhos.

Viagem maravilhosa marcada pela gentileza de todos que passaram por mim, pela alegria em cada som e sorriso, por comida farta e barata e muitas lembranças gostosas. Saber falar italiano me ajudou muito nessa interação, com certeza. Foi tudo planejado em 8 meses com calma e muita pesquisa. O blog me ajudou demais, os passeios adquiri pelo blog ligado ao Viator e as reservas fiz pelo Booking.com. Acima da língua, planejamento ou pesquisa, é preciso ir de peito aberto que com certeza você será bem recebido e atendido onde for. #ficaadica 😉

Para seguir o clima, segue uma lista que traz exatamente os hits do verão 2015 italiano, a trilha sonora dessa viagem inesquecível:

***

Alguém ainda tem dúvida que Ludmilla se divertiu por aqui? A viagem dela é uma prova que as mulheres podem sim viajar sozinhas pela Sicília, inclusive curtindo a vida noturna das cidades!

 

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5 comentários

  1. Patricia Kalil vou em setembro para Sicilia e costa Amalfitana, queria uma dica de onde dormir depois de Agrigento, indo para Siracusa ?? Voce tem alguma dica, estarei saindo de Palermo pela manhã, vou passar em Monreale e conhecer o templo em Agrgento, aí não quero ir direto para Siracusa.
    Grata.

  2. Que relato legal, Ludmilla!
    estou indo agora em julho e toda informação faz muita diferença!
    e, concordo com você: o Blog da Patricia é fantástico!
    estou fazendo meu roteiro seguindo muita coisa daqui.
    abraços

  3. O pessoal da La giara adora mesmo os brasileiros ,no meu ano novo o bar nos encheu de bebida e tocou muita musica brasileira .Achamos maior barato 🙂

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