Messina - Sicília

Descobrindo Messina: o que fazer em um dia

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Apesar de ter ido à Messina várias vezes, nunca parei para conhecer a cidade. Na verdade sempre só “passei” por lá, para pegar a balsa e atravessar para a Calábria. Mesmo precisando voltar para conhecê-la a fundo, nunca a tinha colocado como uma meta prioritária nos meus passeios na Sicília.

Messina, ao longo de sua história, foi destruída inúmeras vezes. Guerras e terremotos quase apagaram os rastros da cidade milenar. O terremoto de 1908 (coincidentemente acontecido no dia 28/12, data em que escrevo este post), que devastou Messina e cidades vizinhas, matou cerca de 80.000 pessoas, mais da metade da população na época, destruiu magníficos palácios e igrejas, e por isso o que vemos é uma cidade bem mais moderna do que as outras localidades da Sicília. E foi aprendendo um pouco sobre a história da maior catástrofe natural que a Itália já viu, que meu passeio iniciou.

Diferentemente das outras cidades da Sicília, Messina não tem um centro histórico onde estão concentrados seus principais monumentos e atrações. Foi somente durante meu passeio que me dei conta que, sozinha e a pé, não teria visto nem a metade do que consegui ver de carro. Por sorte, meu guia conhecia os atalhos para se livrar do trânsito infernal da cidade, que a cada 15 minutos é invadida por um fluxo de automóveis e caminhões que desembarcam das balsas.

 

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Passeio em Messina: o que tem para ver

Nada de Grego, Bizantino ou Barroco, a arquitetura de Messina é quase toda em estilo Art Noveau, afinal de contas era aquele predominante nas primeiras décadas do século XX.

Fomos passeando e parando na frente dos principais edifícios e monumentos da cidade, algo que, pode não ser tão atraente para quem não se interessa por arquitetura. Para mim era interessante ouvir a história por trás daquilo tudo, a luta de um povo que teve literalmente que “sacudir a poeira e dar a volta por cima”.

Uma das paradas interessantes foi na Chiesa dei Catalani (Igreja dos Catalães), que remonta ao século XII e é uma das raras sobreviventes. A igreja, camuflada entre edifícios modernos, fica abaixo do nível da rua, visto que a cidade foi reconstruída por cima dos escombros do terremoto de 1908.

Igreja dos Catalães, Messina
Não é a fachada – bastante simples – mas o fundo da Igreja a chamar a atenção dos turistas.

Messina é uma cidade “estreita e comprida”, localizada entre o mar e os montes Peloritanos. Por isso, em boa parte do passeio se avistava o mar, o porto e Reggio Calábria, logo ali do outro lado.

porto de messina
Um dos cais de Messina e, lá no fundo, uma balsa que navega em direção à Calábria.

Símbolo da cidade de Messina é a coluna localizada na entrada do porto, dedicada à “Madonna della Lettera” – que significa literalmente Nossa Senhora da Carta -, padroeira da cidade. Segundo as crenças, Maria, no ano 42, teria escrito uma carta aos embaixadores de Messina durante a visita destes à Palestina.

madonna della lettera
Na tal carta estaria escrito, entre outras coisas: “Vos et ipsam civitatem benedicimus”- algo do tipo, abençoo vós e a cidade – frase hoje reproduzida no muro do forte sobre o qual está posicionada a coluna.

 

Outros dois pontos fortes, carregados de crenças e lendas, são os santuários de Montalto e do Cristo-Rei. De ambos se tem uma linda vista para o Estreito de Messina e, por isso, vale dar uma passadinha lá, qualquer que seja a sua religião.

Estátua de João Paulo II que reproduz sua expressão ao admirar a vista do Santuário de Montalto.
Estátua de João Paulo II que reproduz sua expressão ao admirar a vista do Santuário de Montalto.
Messina - Sicília
Santuário de Cristo, construído nos anos 30, por cima das ruínas de um castelo. Este santuário me recordou muito a Basílica de Superga, em Turim.

Algumas curiosidades sobre o Santuário do Cristo-Rei: ali ficava a acrópolis da Messina grega, depois, em época bizantina, passou a ser uma fortaleza e por fim um castelo onde Ricardo Coração de Leão dormiu por alguns dias antes de prosseguir viagem durante a 3ª Cruzada.

Depois de percorrer boa parte da cidade, parando nos principais pontos turísticos, o Mikele organizou o tour de modo que chegássemos à catedral de Messina pouco antes do meio dia. Por que esse horário? Porque é o horário em que começa o espetáculo do Relógio Astronômico, algo realmente imperdível para quem passa um dia na cidade.

O relógio da catedral de Messina é simplesmente o maior e mais complexo relógio mecânico astronômico do mundo. Ao marcar meio dia em ponto, as estátuas de bronze começam a se  mover e a emitir determinados sons, numa ordem que vai de cima para baixo: primeiro o leão ruge, depois o galo canta, e assim por diante.

Relógio de Messina

Uma parte do relógio, no detalhe.
Uma parte do relógio, no detalhe. As duas meninas tocando os sinos são Dina e Clarenza*, duas personagens históricas de Messina.

Dina e Clarenza aparecem em vários outros pontos de Messina. O Mikele me contou que as duas moças teriam tido um papel importante durante um ataque à Messina por parte de tropas ítalo-francesas em 1282. As duas, enquanto faziam a guarda às muralhas da cidade, viram que os inimigos se aproximavam. Dina começou a jogar pedras contra eles, Clarenza correu para tocar os sinos e alertar a população que se preparasse para o ataque. Com isso, os messineses conseguiram se preparar a tempo e derrotaram os soldados inimigos.

Voltando ao Relógio Astronômico, uns dois minutos antes do meio dia se formou uma pequena multidão para assistir ao espetáculo que dura 12 minutos. Na minha opinião, só aquilo valeu pelo inteiro passeio!

relógio de messina

Na lateral do relógio está a parte mais complexa. A esfera no alto, entre as janelas, representa a lua e suas fases; o círculo do meio é um planetário com o sol e os planetas posicionados a uma distância proporcional àquela real e com a translação sincronizada com aquela real. Por último, o círculo inferior representa um calendário permanente, com os dias, meses, anos e feriados. O anjo indica com a flecha que dia é. Não é demais?

A Catedral de Messina, destruída e reconstruída inúmeras vezes em mais de 900 anos de vida, é linda por dentro e por fora. Sua última reconstrução aconteceu após a II Guerra Mundial, pois uma bomba destruiu parte dela em 1943.

Messina - Sicília
O Relógio Astronômico e a pequena Catedral, por fora e…

Por dentro

… por dentro durante uma missa.

Depois da visita à Catedral, partimos para a segunda parte do passeio que previa uma visita à pequena cidade de Villafranca Tirrena, localizada a poucos quilômetros de Messina.

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Villafranca Tirrena é a típica pacata cidade com cara de interior mas ferve no verão, pois suas praias são lindíssimas e com vista para as Ilhas Eólias.

De lá é possível partir para itinerários de trekking ou à cavalo nos Montes Peloritanos, mas o passeio da Sicily4You previa uma visita ao castelo da cidade, ao Museu de História da Medicina, a um antigo moinho que produzia azeite e ao santuário Ecce Homo, famoso pelo Cristo do século XVII.

 

Dicas de Messina

  • Se você é fã de arte, não deixe de visitar o Museu Regional de Messina. Entre as inúmeras obras, há nada mais nada menos que dois quadros de Caravaggio e dois de Antonello da Messina. (Caravaggio viveu um período em Messina, depois de ter fugido da prisão em Malta). Se você for fazer o passeio com a Sicily4You, essa etapa pode tranquilamente ser incluída no tour.
  • É fácil fácil chegar a Messina com transporte público. Saindo de Taormina, por exemplo, são cerca de 50 minutos de trem.
  • Se sobrar tempo e quiser dar um pulo em Reggio Calabria, dá para passar de um lado para o outro com a Ustica Lines. A viagem dura cerca de 30 minutos.

 

Outras dicas úteis

  • Veja AQUI como atravessar da Calábria para a Sicília de carro;
  • Veja AQUI as opções de passeios em Messina e arredores disponíveis na Viator;
  • Tem interesse em contratar um transfer, independente de ser em Messina ou não? Clique AQUI para saber mais.

 

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