Scicli: outra jóia do barroco siciliano

Assim como as outras cidades do Val di Noto, a pequenina Scicli se caracteriza pelo estilo barroco de seus edifícios. Bem menos famosa do que as vizinhas Ragusa e Modica, Scicli é uma jóia bem preservada, limpa, tranquila, um destino bem longe dos roteiros “feijão com arroz”. É uma ótima opção para quem se encontra naquela área da Sicília e está fazendo aquele que eu chamo “tour do barroco”.

Como distam apenas 10km uma da outra, Scicli e Modica podem ser facilmente visitadas no mesmo dia. Uma peculiaridade da cidade: Além de ser Patrimônio da Humanidade Unesco, recentemente Scicli foi escolhida pela revista “Dolce & Gabbana Luxury Magazine Online” como uma das cidades mais românticas da Itália, juntamente com nada mais nada menos que Florença, Roma, Veneza e Verona. É mole?

Ao chegar em Scicli dá para entender o porquê de tal escolha. As ruazinhas da cidade são um encanto, com aquele charme que só o barroco tem. Os palácios e a pavimentação das ruas têm quase o mesmo tom ocre, o que gera uma harmonia que dificilmente vi nas cidades da Sicília. É um lugar muito aconchegante e ao passear por lá nos damos conta que Dolce & Gabbana tinha mesmo razão.

Scicli
Palazzo Beneventano – cada varanda era um clique!

Depois do terremoto de 1693, no qual mais de 3000 pessoas perderam a vida, a cidade foi inteiramente reconstruída em puro estilo barroco siciliano (ou barroco tardio). Os principais palácios – como aqueles de Noto – possuem suas fachadas decoradas com estranhas figuras mitológicas, que, segundo alguns, servem para afastar os espíritos malignos.

A Via Francesco Mormina Penna é a rua mais charmosa da cidade. Com seus cafés e restaurantes, é o lugar ideal para dar uma pausa no passeio e repor as energias. Nesta rua ficam a Prefeitura e a esplêndida igreja de San Giovanni Battista. Infelizmente estava fechada quando passei por lá, mas é o tipo de igreja que merece ser vista também por dentro.

Quem mora na Itália e assiste à série de tv Il Commissario Montalbano, vai reconhecer nas ruas de Scicli muitas locações da série! Várias cenas são gravadas lá e, para vocês terem uma ideia, a famosa sala onde trabalha Montalbano na delegacia é, na verdade, o gabinete do prefeito!

Scicli
Via Mormina Penna deserta em um domingo na hora do almoço. A cidade era só minha! 🙂
O escritor Elio Vittorini assim se referiu à Scicli em um de seus livros: "talvez a mais bela das cidades". Não é a mais bonita, mas é decisamente muito graciosa.
O escritor Elio Vittorini assim se referiu à Scicli em um de seus livros: “talvez a mais bela das cidades”. Na minha opiniçao, não é a mais bonita, mas é decisamente muito graciosa.

O que mais ver em Scicli

Além das igrejas de San Bartolomeo, San Matteo, del Carmine e de Santa Maria la Nova, dos palácios aristocráticos do século XVIII, Scicli tem também um pequeno museu, muito peculiar: o museu do traje de época (Museo del Costume). É interessante ver como se vestiam as pessoas que pertenciam à classe nobre da Sicília nos séculos passados.

abito
O Museo del Costume fica na Via Mormina Penna, 65 e funciona todos os dias, das 10 às 13h e das 15h30 às 19h30. A entrada custa 2 euros.

 

Como chegar a Scicli

  • De carro: para quem vem de Modica, a estrada a ser percorrida é a SP54
  • De ônibus: empresa AST com saídas de Modica e de Catânia
  • De trem: vindo de Ragusa, Modica, Siracusa
  • Com um transfer privativo: Peça um orçamento AQUI.

Assine nossa newsletter mensal e receba dicas da Sicília no seu e-mail!

5 Mensagens

  1. Fernanda Rebouças

    Oi Patrícia! Tou usando demais suas dicas para montar minha ida para Sicília!
    Queria uma dica que não achei, se possível…
    Estarei sozinha em Scicli… dormirei duas noites lá… pensei em alugar um bike e ir até Modica de bicicleta… vi que são apenas 10km do meu hotel até a fábrica de chocolate de lá, mas não sei se é tranquilo pedalar este percurso… o que você acha?
    Ah, aproveitando… de Scicli vou para Taormina… vi que tem ônibus, mas como é para fim de agosto ainda não consigo comprar online… é tranquilo comprar quando eu chegar na Sicília essa passagem ou você acha que devo ficar de olho para comprar online?
    Muito obrigada desde já! Muito bom ler suas dicas, já tou viajando!

  2. Angela Maria Beraldi Kormann

    malfitana , Calabria e enfim Sicilia…acho que uns cinco a sete dias. Comecei lendo o 365 meridianos que falou de você.Fiquei muito animada! Obrigada Angela

  3. Maria Cristina

    Primeiramente, PARABÉNS pelo blog.
    Incrível, parece até mentira, mas não e …..rsrsrs, 2 dias antes de você escrever este post eu estava pensando em te perguntar se você conhecia Scicli; cidade que tive oportunidade de conhecer durante a celebração da Páscoa em 2012 que, aliás, foi uma experiência incrivel (“U Gioia” estava por toda parte, nos abençoando).
    Realmente, Scicli é uma grande surpresa nessa região, vale muitíssimo a pena visitá-la.
    Inclusive, lembrei dela quando você escreveu sobre os filmes da Sicilia, pois lembrei que nessa cidade se falava muito de Montalbano você já ouviu falar?
    Abs.

    • Oi Cristina!

      Que coincidência! É interessante você ter conhecido Scicli, porque infelizmente não é uma cidade muito procurada por brasileiros (ainda)!
      Claro que conheço Montalbano, que além de ser um personagem da literatura italiana (romances policiais de Andrea Camilleri), é uma série de TV de grande sucesso. Muitos fãs da série vão a Scicli e Ragusa só para conhecer as locações da série. Eu não a citei no post porque ele não é conhecido no Brasil. Ah, mas falei de Montalbano ontem, no post sobre os livros ambientados na Sicília!

      Muito obrigada pelo seu comentário e um abraço!

      Patricia

      • Maria Cristina

        Olá Patrcia,
        Acabo de ler o post dos livros e, realmente, Montalbano está la…, escrevi o comentário anterior com tanta empolgação que nem tinha lido o post posterior.
        Estou adorando seu site e, nesse momento, recordando da ricota deliciosa que comi em Scicli e, super diferente: compramos quando o vendedor ainda estava tirando ela do carro e ainda estava quente (mesmo assim deliciosa); nada aver com a que comemos no Brasil. Como é bom ter essas simples recordações e seu site contribui para isso: obrigada.

Comente!