Lagoa do Stagnone e Mozia: restos de uma cidade fenícia

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Pouco antes de Marsala há uma grande lagoa que dá continuidade à paisagem de salinas que vemos desde a saída de Trapani. É a chamada Lagoa do Stagnone (Laguna dello Stagnone em italiano) com suas quatro ilhotas, sendo uma delas a ilha de Mozia, uma antiga cidade fenícia fundada por volta do século VIII a.C.

A palavra “stagnone” traduzida literalmente significa “grande pântano”. A lagoa é bastante rasa, chegando no máximo a 2m de profundidade. A alta salinidade da água faz com que a temperatura da mesma seja mais alta do que nos outros lugares da região e por este motivo, no verão, tem quem tome banho nas águas estagnadas!

Outra característica da lagoa é o vento. Este fator atrai os praticantes de kitesurf da Sicília inteira.
Lagoa do Stagnone, a maior da Sicília. Outra característica da lagoa é o vento constante, fator que atrai os praticantes de kitesurf de todas as partes da Sicília.

Como escrevi anteriormente, a lagoa possui quatro ilhotas. A que hoje se chama ilha de Pantaleo era a cidade fenícia de Mozia, também chamada de Mothia ou Motya, um ponto estratégico por se encontrar próximo a Cartago, e um dos mais importantes polos comerciais do Mediterrâneo. Além disso, Mozia era muito parecida com a ilha de Tiro, no Líbano, que assim como a ilhota siciliana, também ficava perto da terra firme, possibilitando o comércio com a população local.

No ano 397 a.C., Siracusa invadiu e destruiu Mozia. A cidade fenícia era aliada de Segesta e, portanto, inimiga de Selinunte, que por sua vez contava com o apoio de Siracusa. Apesar da força militar e econômica que possuía Mozia, a cidade nunca mais foi reconstruída. Foi abandonada e sepultada pelo tempo até o fim do século XIX, quando o arqueólogo inglês Joseph Whitaker comprou a ilha para cultivar uva. Após ter descoberto o tesouro arqueológico que havia na ilha, Whitaker iniciou as escavações e criou uma fundação que protege e administra Mozia e o museu que hoje pode ser visitado.

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O “cothon”, uma espécie de reservatório sagrado que armazenava a água doce usada nos rituais religiosos. Antes da descoberta da real função do cothon, acreditava-se que aquele fosse o porto de Mozia.

Com as escavações também foi encontrado o terrível Tophet, um santuário como aquele de Cartago, onde crianças eram sacrificadas e oferecidas à deusa Tanit, deusa da fertilidade, da vida e da morte.

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Urnas com os sacrifícios oferecidos à Tanit, hoje expostas no museu arqueológico de Mozia

A maior atração do museu é uma belíssima estátua chamada “Auriga”. A obra é carregada de mistério porque é uma estátua em estilo grego encontrada em uma área púnica. Além disso ninguém sabe quem é o autor, o modelo, quando foi feita. Alguns estudiosos acreditam que a estátua foi feita em uma das cidades gregas da Sicília e então levada para Mozia depois que os cartagineses saquearam Selinunte.

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O Auriga e as urnas do Tophet em exposição no museu.

Na minha opinião, só vale a pena conhecer Mozia se você for apaixonado por arqueologia. Se não for a sua praia, então é melhor poupar seu dinheirinho e ficar do lado de cá do píer, até porque o preço do ingresso é bastante salgado.

Mesmo quem não for à Mozia, pode simplesmente passear pelo Stagnone e admirar as salinas e os moinhos de vento!
Mesmo quem não for à Mozia, pode simplesmente passear pelo Stagnone e admirar as salinas e os moinhos de vento!

 

Dicas e info úteis:

– As embarcações para Mozia partem do cais da Lagoa do Stagnone a cada meia hora, das 09h30 às 18h30 (de abril a outubro) e das 09 às 15h (de novembro a março). A viagem dura cerca de 10 minutos e a passagem de ida e volta custa 5 euros.

– O ingresso para a ilha, incluindo o acesso ao museu, custa 9 euros.

– Para percorrer a ilha inteira e todas as suas atrações são necessárias apenas duas horas.

 

Como chegar à Lagoa do Stagnone e Mozia

De ônibus: Saindo de Marsala, ônibus nº 4;

De carro: Prosseguir em direção ao aeroporto de Trapani/Birgi e então seguir as indicações para “Saline di Marsala”. Próximo ao píer há um estacionamento.

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3 comentários

  1. Ficar lendo seus post já me dá vontade de voltar (sem nem ter chegado aí ainda) pra conhecer o que não conseguirei ver dessa primeira vez!!

  2. eita, mulher que viaja…

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